sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

RIO 40 E TANTOS GRAUS

Tenho experimentado as delícias, venturas e desventuras de viver o auge do verão carioca com o que ele tem de melhor: o sol. Não falo de um solzinho brando, ameno que surge plácida e docemente no horizonte, falo do astro-rei que tem feito torrar a paciência de muitos, inclusive a minha.

Acordar com sol “batendo” na janela tem quase o mesmo efeito de uma exposição direta no melhor estilo praiano então, como não tenho ar refrigerado no aposento onde repouso minha singela e modesta massa corpórea para o descanso, durmo de sunga de praia porque se perder a hora de levantar pelo menos já pego uma cor, já consigo um bronzeado matinal.

A ida para o trabalho ou uma mera saída de casa é parte do suplício do munícipe condução, seja ela de que tipo for, com ar-condicionado é milagre e quando passam vale tudo – tapas, socos, pontapés, dedo no olho, etc, etc, etc – para conseguir entrar primeiro e garantir um lugar sentado. Se você não conseguir fazer a viagem sentado dentro do “frescão” – como são carinhosamente chamados os ônibus que tem sistemas de ar-condicionado – conforte-se de pelo menos ser encoxado sob refrigeração.

Mas frescão é milagre e milagre só na igreja então resta o bom e velho, sempre velho, “quentão” mesmo. E vamos que vamos suando em bicas, sendo encoxado aqui, apertado ali, sacolejando feito pipoca no óleo quente. E se alguma coisa está ruim sempre pode piorar, o trânsito da um nó e tudo para e nada anda; no engarrafamento monstro o único que anda é o camelô de um lado para o outro anunciando a plenos pulmões o seu produto: “água, água mineral!”

O trabalho é oásis ou continuação do suplício infernal, tudo depende da quantidade de btu’s ou rpm’s. sair de baixo do ar-condicionado ou da frente do ventilador só se for em caso de extremíssima urgência-urgentíssima, como por exemplo, para atender ao chamado da mãe-natureza. E aí então você pode até levar uma folha de papel, um pedaço de cartolina, um leque, enfim, qualquer coisa que possa proporcionar-lhe algum frescor durante a atividade biológica. Cá entre nós: de mais-a-mais, nestas horas um ventinho circulando é bom para disfarçar o budum, né?

Hora do almoço é sempre surpresa. Onde comer sob um calor de fritar ovos no asfalto? Muitos restaurantes mantêm a tradição e oferecem os pratos mais “absurdos” neste calor: feijoada, leitãozinho a pururuca, peixe frito, buchada de bode, strogonoff. Mas se você achou isso “pesado” demais sempre existe uma opção mais “leve”, mais saudável, mais natural: sopa, e quente!! Tem maluco pra tudo mesmo.

No pouco espaço de tempo que resta pós-almoço e pré-trabalho vespertino, o negócio é procurar um lugar que tenha ar-condicionado e matar o tempo ali. Nesta busca qualquer lugar é válido: shopping, banco, farmácia, loja de doce, repartição pública, magazines, centro cultural, livraria, igreja, etc, etc, etc.

A volta para casa é tão cruel quanto a ida para o trabalho mas agora já não mais importa o aperto, o desconforto, a encoxada, o engarrafamento ou o camelô, o único que parece feliz no fim de um dia tão quente, que continua a anunciar a plenos pulmões o seu produto: “água, água mineral!”

Quero descanso, estou um bagaço.

Vou dormir de sunga porque amanhã, por certo, vai dar praia de novo... na minha cama.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

VELOCIDADE CONTROLADA

Ando sem paciência
Então, corro.

Quando corro, atropelo.
Quando atropelo, machuco.
Quando machuco, sofro.
Quando sofro, sinto.
Quando sinto, penso.
Quando penso, reflito.
Quando reflito, comparo.
Quando comparo, analiso.
Quando analiso, percebo
E quando percebo é que descubro que sou igual a você.

Então não me censure
Nem me multe por dirigir a mais de cento e vinte nesta estrada;
Caminho,
Meio e fim
Que me afasta e aproxima de ti.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

R E T R O S P E C T I V A

Repensar a vida
Encontrar explicação, ou quem sabe
Talvez não.
Recuperar na memória
Outravez rever a história
Sentir saudades por quem se foi,
Perdi.
Experimentar a alegria
Consolidar a fé
Tendenciosa certeza de uma
Inabalável beleza de que
Viver este ano foi bom e que o próximo ano será
Ainda melhor.


FELIZ ANO NOVO!!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

LUA MINGUANTE

Não vou chorar o ano findo.
Não vou sorrir na antevéspera.
Espero,
Aguardo
Até que o meu falar com a ponta do grafite
Encontre teus olhos e então me alegre
Só de pensar que esta inversa trova
Escrita no improviso
Tocou teu pensamento solto
Enquanto a lua, lá fora,
Sorri.