Livre de toda a dor e sofrimento, a paciente descança de suas dores.
Tem fim o sofrer. Fica a saudade e a esperança de que em breve haveremos de nos encontrar, sem dor, sem câncer, sem sofrimento... só amor.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x FIM x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Aqui coloco fragmentos de idéias, instantes, momentos, pensamentos. Sinta-se à vontade para comentar, discutir, concordar e discordar. Esta é uma arena pública aonde todos são bem-vindos. Coloque-se confortavelmente instalado em frente a tela do seu computador e deixe que seus olhos e cérebro trabalhem enquanto tua mente passeia no universo das palavras. Forte abraço, O Autor
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segunda-feira, 22 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL IX – RETICÊNCIAS...
Faço uma pausa na capitular narrativa, uma vírgula para respiração e enquanto respiro, recordo as inúmeras manifestações de apoio e carinho que havemos recebido nestes dias turbulentos que temos enfrentado juntamente com a paciente.
Em uma destas manifestações recheadas de empatia, carinho e sincera amizade, uma amiga escreveu que “os amigos são o meio pelo qual Deus gosta de cuidar de nós.” E então, sendo assim, todos os dias Deus fala comigo ao telefone, manda um email, mensagem no Orkut, envia carta, me dá um abraço e até interage neste blog.
Todas estas manifestações do mais puro e desinteressado amor para com a família da paciente e também para com a paciente tem nos ajudado a suportar e superar os momentos ruins, valorizando os bons instantes.
Em uma destas manifestações recheadas de empatia, carinho e sincera amizade, uma amiga escreveu que “os amigos são o meio pelo qual Deus gosta de cuidar de nós.” E então, sendo assim, todos os dias Deus fala comigo ao telefone, manda um email, mensagem no Orkut, envia carta, me dá um abraço e até interage neste blog.
Todas estas manifestações do mais puro e desinteressado amor para com a família da paciente e também para com a paciente tem nos ajudado a suportar e superar os momentos ruins, valorizando os bons instantes.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL VIII - DE VOLTA PRA CASA
Após duas semanas de internação para exames, dado o diagnóstico e as orientações médicas, a paciente decide voltar para sua casa, junto de sua família e assim é.
Ainda bastante debilitada fisicamente e ainda um pouco abalada emocionalmente, a paciente trava acirrada luta para ficar bem, o melhor possível, com a ajuda de familiares e amigos que afluem para vê-la; para expressar e demonstrar amor, carinho, afeto, amizade e cuidados para com ela. Isso é bom, conforta a alma, alivia o espírito e faz surgir novo ânimo.
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.” I Coríntios 13:13
Ainda bastante debilitada fisicamente e ainda um pouco abalada emocionalmente, a paciente trava acirrada luta para ficar bem, o melhor possível, com a ajuda de familiares e amigos que afluem para vê-la; para expressar e demonstrar amor, carinho, afeto, amizade e cuidados para com ela. Isso é bom, conforta a alma, alivia o espírito e faz surgir novo ânimo.
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.” I Coríntios 13:13
domingo, 31 de maio de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL VII – NOTÍCIA RUIM
Como é que se diz para uma criança que Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Bicho-Papão, a Fada do Dentinho e tantos outros personagens lúdicos não existem?
Como é que se pode dar uma notícia ruim para alguém?
No fim de semana retrasado a paciente, sentindo o voltar das dores, foi levada para uma outra cidade, um outro hospital, uma outra equipe médica afim de ser examinada. Internação solicitada e aí é a rotina hospitalar básica de diagnóstico: material para exame, laboratório, resultado, conversa com o médico e foi neste processo que “Papai Noel” começou a sumir.
Os exames preliminares, básicos e rotineiros apontaram uma alteração no nível de uma proteína do sangue e esta alteração é forte indicativo de uma doença mais séria. Outros exames, agora complementares e um pouco mais complexos, são solicitados afim de descartar ou confirmar a suspeita apontada pelos primeiros exames, os básicos.
Em um centro mais desenvolvido, tudo parece ser melhor, pelo menos do ponto de vista médico e este foi o caso no trato com a paciente. Os exames que anteriormente demoravam de 3 a 4 dias para ficarem prontos, agora são divulgados com laudos e tudo mais em no máximo 24 horas.
Exames e laudos complementares prontos e é confirmada a suspeita do médico. A paciente tem câncer. O grau de evolução da doença é adiantado e a metástase já se faz presente em outros órgãos. A paciente tem a glândula supra-renal esquerda, o pâncreas e o fígado já tomados pelo câncer. O prognóstico médico não é nada animador e o contar do tempo agora é regressivo diante de uma doença tão agressiva.
Como é mesmo que se dá uma notícia ruim pra alguém?
Não sei. Mas por certo a melhor forma é a que não omite, não mascara, não disfarça.
O que acontece agora? O que acontecerá daqui pra frente?
Não sei, não sabemos.
Há momentos que acreditar em alguma coisa superior é bom.
Há momentos que acreditar em alguma coisa superior é bom mas não o suficiente, então acreditamos no divino.
Mas há momentos que acreditar em alguma coisa superior e no divino não são suficientes, é nestes momentos que faz toda a diferença acreditar em DEUS.
Nós, da família, acreditamos em DEUS, em todo o tempo, em todos os momentos.
Como é que se pode dar uma notícia ruim para alguém?
No fim de semana retrasado a paciente, sentindo o voltar das dores, foi levada para uma outra cidade, um outro hospital, uma outra equipe médica afim de ser examinada. Internação solicitada e aí é a rotina hospitalar básica de diagnóstico: material para exame, laboratório, resultado, conversa com o médico e foi neste processo que “Papai Noel” começou a sumir.
Os exames preliminares, básicos e rotineiros apontaram uma alteração no nível de uma proteína do sangue e esta alteração é forte indicativo de uma doença mais séria. Outros exames, agora complementares e um pouco mais complexos, são solicitados afim de descartar ou confirmar a suspeita apontada pelos primeiros exames, os básicos.
Em um centro mais desenvolvido, tudo parece ser melhor, pelo menos do ponto de vista médico e este foi o caso no trato com a paciente. Os exames que anteriormente demoravam de 3 a 4 dias para ficarem prontos, agora são divulgados com laudos e tudo mais em no máximo 24 horas.
Exames e laudos complementares prontos e é confirmada a suspeita do médico. A paciente tem câncer. O grau de evolução da doença é adiantado e a metástase já se faz presente em outros órgãos. A paciente tem a glândula supra-renal esquerda, o pâncreas e o fígado já tomados pelo câncer. O prognóstico médico não é nada animador e o contar do tempo agora é regressivo diante de uma doença tão agressiva.
Como é mesmo que se dá uma notícia ruim pra alguém?
Não sei. Mas por certo a melhor forma é a que não omite, não mascara, não disfarça.
O que acontece agora? O que acontecerá daqui pra frente?
Não sei, não sabemos.
Há momentos que acreditar em alguma coisa superior é bom.
Há momentos que acreditar em alguma coisa superior é bom mas não o suficiente, então acreditamos no divino.
Mas há momentos que acreditar em alguma coisa superior e no divino não são suficientes, é nestes momentos que faz toda a diferença acreditar em DEUS.
Nós, da família, acreditamos em DEUS, em todo o tempo, em todos os momentos.
sábado, 23 de maio de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL VI – LUZES E TREVAS
Após quase uma semana internada para recuperar parte da força que a doença tem, vez por outra solapado, a paciente retornou para a casa. Ainda enfraquecida fisicamente e depressiva. Quem a vê se espanta com a visível apatia que demonstra.
A médica que a atendeu desta vez foi a mesma que, algum tempo atrás, a socorreu e a aconselhou seriamente sobre os sintomas e o diagnóstico da doença principal que, pasme amigo leitor, a paciente ainda recusa-se a aceitar; e já se vão mais de dois meses desde que deprimida foi diagnosticada. Desta vez as orientações se repetiram quando do primeiro atendimento hospitalar com um reforço para pequenas ações importantes que ajudarão a paciente a sair do quadro da moléstia principal e assim diminuir as manifestações das moléstias secundárias.
Nada de ficar só deitada. Nada de ficar sem comer ou tomar água. Nada de casa quieta, escura, sombria, gelada, sem vento, sem sol. É preciso abrir janelas. É preciso luz. É preciso sol. É preciso caminhar. É preciso sair para dar uma volta. É preciso ver a natureza, o por do sol, as flores. É preciso fazer o que se gosta. É preciso música. É preciso ver TV. É preciso tomar remédio na hora certa. Tudo devagar, tudo aos poucos, mas tudo isso é preciso fazer.
A sombra cinza sobre a massa cinzenta da paciente deve começar a dissipar-se, de forma mais notória, daqui a não menos do que oito semanas. Que o vagar do tempo passe rápido!
As reações emocionais manifestas no corpo físico ainda são recorrentes e, senão bastassem as já conhecidas, temos mais uma nova e recém chegada: afonia. Reação normal, assim disse a médica, para alguém que carrega um amontoado misturado de sentimentos sobre acontecimentos que, alguns deles, foram fato há 60 anos.
Há uma luz no fim do túnel, ainda distante e pequena demais para um caminho demasiadamente comprido e escuro.
A médica que a atendeu desta vez foi a mesma que, algum tempo atrás, a socorreu e a aconselhou seriamente sobre os sintomas e o diagnóstico da doença principal que, pasme amigo leitor, a paciente ainda recusa-se a aceitar; e já se vão mais de dois meses desde que deprimida foi diagnosticada. Desta vez as orientações se repetiram quando do primeiro atendimento hospitalar com um reforço para pequenas ações importantes que ajudarão a paciente a sair do quadro da moléstia principal e assim diminuir as manifestações das moléstias secundárias.
Nada de ficar só deitada. Nada de ficar sem comer ou tomar água. Nada de casa quieta, escura, sombria, gelada, sem vento, sem sol. É preciso abrir janelas. É preciso luz. É preciso sol. É preciso caminhar. É preciso sair para dar uma volta. É preciso ver a natureza, o por do sol, as flores. É preciso fazer o que se gosta. É preciso música. É preciso ver TV. É preciso tomar remédio na hora certa. Tudo devagar, tudo aos poucos, mas tudo isso é preciso fazer.
A sombra cinza sobre a massa cinzenta da paciente deve começar a dissipar-se, de forma mais notória, daqui a não menos do que oito semanas. Que o vagar do tempo passe rápido!
As reações emocionais manifestas no corpo físico ainda são recorrentes e, senão bastassem as já conhecidas, temos mais uma nova e recém chegada: afonia. Reação normal, assim disse a médica, para alguém que carrega um amontoado misturado de sentimentos sobre acontecimentos que, alguns deles, foram fato há 60 anos.
Há uma luz no fim do túnel, ainda distante e pequena demais para um caminho demasiadamente comprido e escuro.
sábado, 16 de maio de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL V - SUSTO
Um dos fatores mais cruéis de toda e qualquer doença é o sofrimento que atinge os familiares e amigos mais próximos do doente sempre que algum evento ou manifestação da moléstia se intensifica.
Depois do Dia das Mães a paciente voltou a ter intolerância alimentar e então um dos médicos que a atende, pediu sua internação para hidratação e nutrição. Internada está, e bem se sente, pelo menos tem mais força para falar e disposição para elaborar diálogos ainda que básicos.
Desde a muito, vem sendo solicitado exames sobre exames, análise sobre análise, parecer sobre parecer, laudos sobre laudos e a cada uma destas novas solicitações uma nuvem de dúvida paira sobre a cabeça de quem acompanha e também sobre a mente acinzentada da paciente.
Temos agora a indicação para um novo exame, desta vez neurológico, afim de descartar, nas palavras do médico, “algo mais grave”. Como assim algo mais grave? Tem hora que a Medicina mais assusta do que conforta e cura.
Um susto, um sobressaltar, um pulsar mais forte do coração dentro do peito e um amontoado de idéias e imagens na mente... tudo evocado pela simples frase “algo mais grave”. Ora-bolas, que bom que a Medicina vai atrás dos sustos que ela mesma produz.
A depressão não deprime o nível de consciência de quem padece deste mal. A paciente tem perfeita e exata noção do que está acontecendo e agora, com a aceitação da doença principal, com as forças que lhe restam, luta para voltar a viver, a conviver.
E o tal susto? Por favor, uma coisa de cada vez; venha o que vier, haja o que houver.
Depois do Dia das Mães a paciente voltou a ter intolerância alimentar e então um dos médicos que a atende, pediu sua internação para hidratação e nutrição. Internada está, e bem se sente, pelo menos tem mais força para falar e disposição para elaborar diálogos ainda que básicos.
Desde a muito, vem sendo solicitado exames sobre exames, análise sobre análise, parecer sobre parecer, laudos sobre laudos e a cada uma destas novas solicitações uma nuvem de dúvida paira sobre a cabeça de quem acompanha e também sobre a mente acinzentada da paciente.
Temos agora a indicação para um novo exame, desta vez neurológico, afim de descartar, nas palavras do médico, “algo mais grave”. Como assim algo mais grave? Tem hora que a Medicina mais assusta do que conforta e cura.
Um susto, um sobressaltar, um pulsar mais forte do coração dentro do peito e um amontoado de idéias e imagens na mente... tudo evocado pela simples frase “algo mais grave”. Ora-bolas, que bom que a Medicina vai atrás dos sustos que ela mesma produz.
A depressão não deprime o nível de consciência de quem padece deste mal. A paciente tem perfeita e exata noção do que está acontecendo e agora, com a aceitação da doença principal, com as forças que lhe restam, luta para voltar a viver, a conviver.
E o tal susto? Por favor, uma coisa de cada vez; venha o que vier, haja o que houver.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL IV – SONHO COLORIDO
Esta semana foi especial, ou pelo menos diferente, no tocante ao movimento de reação da paciente em busca de uma vida mais colorida. Ela pediu para dar um passeio. E o que tem de extraordinário em alguém pedir para dar um passeio? Para informação e conhecimento: é altamente positivo para o paciente com diagnóstico de depressão manter as atividades o mais próximo possível da normalidade antes da manifestação sistêmica da doença, então uma solicitação para sair da atual rotina – cama, remédio, cama – é um indicativo de que “saímos da inércia depressiva”, e viva!
Passeio tranqüilo, não muito demorado mas nem curto demais, e ao retornar para casa retornaram também as crises bulímicas. Reaparece a preocupação para com a paciente por parte de quem cuida ou ajuda a cuidar. Fui então em busca de explicação tentando entender o motivo da aparente insistente bulimia e tive a informação de que a reação pós primeiro passeio é perfeitamente normal; valorizar a solicitação para sair da “inércia depressiva” é fundamental e importante, concentro-me então no que é importante!
Já temos com a paciente um nível muito bom de interação, diálogos, conversas e uma vez por outra um sorriso. E foi em um dos momentos de interação que ela – a paciente - relatou espantada como tem sentido muito sono, com tem dormido demais e como tem sonhado bastante. Isso é muito bom, dizem os médicos, pois no repouso o organismo renova as forças e no sonho o cérebro organiza, literalmente, as idéias. Nunca ter sonhos fez tanto sentido para a vida.
O meu sonho ainda é o mesmo. Cada vez mais real. Cada vez mais colorido.
Aprendi e aprendo com a doença da paciente e a lição que fica, primeiramente para mim e tomara que para você que acompanha a série “Mas Livrai-nos do Mal”, é a de que o mundo é feito e tem várias cores e a cor cinza é uma delas.
Passeio tranqüilo, não muito demorado mas nem curto demais, e ao retornar para casa retornaram também as crises bulímicas. Reaparece a preocupação para com a paciente por parte de quem cuida ou ajuda a cuidar. Fui então em busca de explicação tentando entender o motivo da aparente insistente bulimia e tive a informação de que a reação pós primeiro passeio é perfeitamente normal; valorizar a solicitação para sair da “inércia depressiva” é fundamental e importante, concentro-me então no que é importante!
Já temos com a paciente um nível muito bom de interação, diálogos, conversas e uma vez por outra um sorriso. E foi em um dos momentos de interação que ela – a paciente - relatou espantada como tem sentido muito sono, com tem dormido demais e como tem sonhado bastante. Isso é muito bom, dizem os médicos, pois no repouso o organismo renova as forças e no sonho o cérebro organiza, literalmente, as idéias. Nunca ter sonhos fez tanto sentido para a vida.
O meu sonho ainda é o mesmo. Cada vez mais real. Cada vez mais colorido.
Aprendi e aprendo com a doença da paciente e a lição que fica, primeiramente para mim e tomara que para você que acompanha a série “Mas Livrai-nos do Mal”, é a de que o mundo é feito e tem várias cores e a cor cinza é uma delas.
domingo, 26 de abril de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL III – DA INÉRCIA À REAÇÃO
A semana seguiu diferente, mas comum; novas experiências, vivências e descobertas surpreendem a quem mais de perto acompanha o desenrolar da doença e a busca pela cura.
Familiar veio passar algumas horas aqui, contudo gelado chegou e mais gelado ainda saiu; pouca ou nenhuma interação, afeto, carinho houve com a paciente. Algumas pessoas lidam melhor com as dificuldades da vida, outras nem tanto. Mas a despeito da aparente apatia, sei que existem amor e interesse na recuperação da paciente, só não se sabe como demonstrar isso a despeito de experiências nem tão boas assim.
Seguiram-se consultas a outros médicos acerca dos sintomas secundários; todos os exames solicitados confirmam a diagnose principal. Início do tratamento terapêutico com forte resistência e alta descrença por parte da paciente, reações normais, medicação para o problema principal.
É interessante notar que a cada resultado de exame apontando padrão normal a paciente parece se surpreender, pois mesmo sentindo os mais diversos sintomas os exames não apontam nada de diferente ou incomum ou fora do padrão. É como se ela, a paciente, ainda não acreditasse que a base de quase todos os sintomas – secundários – tem fundo emocional; é preciso tratar a alma.
Já percebemos sutis, leves, delicadas e pequenas melhoras no estado geral da paciente; ela, contudo, ainda vê o mundo ainda bem cinza. O que tem sido causa de preocupação são as crises bulímicas e anoréxicas, ainda recorrentes, porém com menos intensidade e freqüência.
Temos um pouco mais de interação com a paciente; pequenos diálogos, poucas frases, mas é assim mesmo, o caminho de volta é lento, bem lento. Sair da inércia, em qualquer estado, exige mais esforço, exige reação.
Familiar veio passar algumas horas aqui, contudo gelado chegou e mais gelado ainda saiu; pouca ou nenhuma interação, afeto, carinho houve com a paciente. Algumas pessoas lidam melhor com as dificuldades da vida, outras nem tanto. Mas a despeito da aparente apatia, sei que existem amor e interesse na recuperação da paciente, só não se sabe como demonstrar isso a despeito de experiências nem tão boas assim.
Seguiram-se consultas a outros médicos acerca dos sintomas secundários; todos os exames solicitados confirmam a diagnose principal. Início do tratamento terapêutico com forte resistência e alta descrença por parte da paciente, reações normais, medicação para o problema principal.
É interessante notar que a cada resultado de exame apontando padrão normal a paciente parece se surpreender, pois mesmo sentindo os mais diversos sintomas os exames não apontam nada de diferente ou incomum ou fora do padrão. É como se ela, a paciente, ainda não acreditasse que a base de quase todos os sintomas – secundários – tem fundo emocional; é preciso tratar a alma.
Já percebemos sutis, leves, delicadas e pequenas melhoras no estado geral da paciente; ela, contudo, ainda vê o mundo ainda bem cinza. O que tem sido causa de preocupação são as crises bulímicas e anoréxicas, ainda recorrentes, porém com menos intensidade e freqüência.
Temos um pouco mais de interação com a paciente; pequenos diálogos, poucas frases, mas é assim mesmo, o caminho de volta é lento, bem lento. Sair da inércia, em qualquer estado, exige mais esforço, exige reação.
domingo, 19 de abril de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL II - ACEITAÇÃO, FUGA E ACEITAÇÃO
Certa vez quando eu fiquei bem ruim de saúde por conta de uma infecção por três vírus que resolveram fazer acampamento dentro do meu fígado e todos os três ao mesmo tempo, uma das enfermeiras que me atendeu, estando eu internado, vendo meu estado debilitado me disse uma coisa que nunca esquecerei, assim ela sabiamente falou: “Não sei o que você tem, mas você só vai morrer disso, se você quiser.” Rapidinho me recuperei.
O primeiro passo para a recuperação é aceitar o diagnóstico e nem sempre aceitar o diagnóstico de depressão é tão fácil quanto o de uma gripe, por exemplo.
Ela não aceitou e buscou subterfúgios para cada um dos sintomas que, dada a baixíssima taxa hormonal e o elevado grau da agora instalada depressão, eram cada vez mais fortes, presentes, recorrentes.
E lá vamos nós, ainda com pouca informação sobre a doença, em busca dos médicos para os sintomas mais fortes. Enquanto um seguia pelo caminho dos médicos, outro foi à internet pesquisar sobre o problema central e pesquisa daqui, conversa com colegas que já passaram por situação semelhante ou que tratam de pessoas deprimidas, fica cada vez mais evidente que o que está sendo tratado são os sintomas acessórios e não o problema central. Mas ela quer assim, primeiro cuidar dos acessórios pra depois ver o principal.
Interna-se em uma clínica de tratamento natural, movida de esperanças e expectativas de que sairia de lá curada, boa, nova em folha, entretanto ao fim de meio-mês de internação não apresentou melhora significativa para os sintomas acessórios. Mas nem tudo estava perdido e mais uma vez ela ouve que o problema principal precisa ser tratado em primeiro lugar. Nega-se, contudo, a acreditar que esteja com depressão.
De volta ao lar, tudo a enjoa, já não se alimenta corretamente e nem mesmo água seu organismo passa aceitar; o que a deixa ainda mais debilitada e resistente a tratar do problema principal. Um exame previamente agendado para tratar de um sintoma acessório a leva ao hospital e como que por milagre ao encontro de uma médica, daquelas nos moldes da antiga escola de medicina, que vendo o estado dela e já acostumada a lidar com quadros assim, pede a sua internação imediata para alguns exames.
Os exames não apontam nenhum descompasso ou alteração a não ser a confirmação do diagnóstico principal dado pela ginecologista quase três semanas atrás. A médica então tem duas conversas sérias, em momentos diferentes, com a paciente. É preciso aceitar, é preciso tratar o principal, deixar de fugir, de esquivar-se, de esconder-se. A paciente rebate expondo seus argumentos em defesa dos sintomas acessórios, negando-se, contudo a aceitar seu quadro depressivo e pelo desenrolar dos fatos, anoréxico e ictérico; a médica não se intimida e fala mais diretamente. Parece haver um aquietar-se dentro da paciente. Ela só ouve. Se concorda? Tomara!
Alta hospitalar assinada. Esqueça os remédios fitoterápicos, homeopáticos, os que foram receitados para tratar os sintomas acessórios; fica apenas um antidepressivo e a indicação urgente para uma consulta e não com psicólogo e sim com psiquiatra. Consulta agendada. De volta para casa. Ainda descrente do diagnóstico principal, mas pelo menos consciente de que é preciso tratar, e com urgência, dos problemas da alma para que os sintomas acessórios desapareçam.
Cada dia tem sido, para quem participa deste ambiente, uma experiência de paciência, amor, carinho, de ouvir, de pouco falar, de sabedoria no dizer e mais importante do que tudo isso: de confiar, no tratamento e acima de tudo, em Deus.
Eu confio!
O primeiro passo para a recuperação é aceitar o diagnóstico e nem sempre aceitar o diagnóstico de depressão é tão fácil quanto o de uma gripe, por exemplo.
Ela não aceitou e buscou subterfúgios para cada um dos sintomas que, dada a baixíssima taxa hormonal e o elevado grau da agora instalada depressão, eram cada vez mais fortes, presentes, recorrentes.
E lá vamos nós, ainda com pouca informação sobre a doença, em busca dos médicos para os sintomas mais fortes. Enquanto um seguia pelo caminho dos médicos, outro foi à internet pesquisar sobre o problema central e pesquisa daqui, conversa com colegas que já passaram por situação semelhante ou que tratam de pessoas deprimidas, fica cada vez mais evidente que o que está sendo tratado são os sintomas acessórios e não o problema central. Mas ela quer assim, primeiro cuidar dos acessórios pra depois ver o principal.
Interna-se em uma clínica de tratamento natural, movida de esperanças e expectativas de que sairia de lá curada, boa, nova em folha, entretanto ao fim de meio-mês de internação não apresentou melhora significativa para os sintomas acessórios. Mas nem tudo estava perdido e mais uma vez ela ouve que o problema principal precisa ser tratado em primeiro lugar. Nega-se, contudo, a acreditar que esteja com depressão.
De volta ao lar, tudo a enjoa, já não se alimenta corretamente e nem mesmo água seu organismo passa aceitar; o que a deixa ainda mais debilitada e resistente a tratar do problema principal. Um exame previamente agendado para tratar de um sintoma acessório a leva ao hospital e como que por milagre ao encontro de uma médica, daquelas nos moldes da antiga escola de medicina, que vendo o estado dela e já acostumada a lidar com quadros assim, pede a sua internação imediata para alguns exames.
Os exames não apontam nenhum descompasso ou alteração a não ser a confirmação do diagnóstico principal dado pela ginecologista quase três semanas atrás. A médica então tem duas conversas sérias, em momentos diferentes, com a paciente. É preciso aceitar, é preciso tratar o principal, deixar de fugir, de esquivar-se, de esconder-se. A paciente rebate expondo seus argumentos em defesa dos sintomas acessórios, negando-se, contudo a aceitar seu quadro depressivo e pelo desenrolar dos fatos, anoréxico e ictérico; a médica não se intimida e fala mais diretamente. Parece haver um aquietar-se dentro da paciente. Ela só ouve. Se concorda? Tomara!
Alta hospitalar assinada. Esqueça os remédios fitoterápicos, homeopáticos, os que foram receitados para tratar os sintomas acessórios; fica apenas um antidepressivo e a indicação urgente para uma consulta e não com psicólogo e sim com psiquiatra. Consulta agendada. De volta para casa. Ainda descrente do diagnóstico principal, mas pelo menos consciente de que é preciso tratar, e com urgência, dos problemas da alma para que os sintomas acessórios desapareçam.
Cada dia tem sido, para quem participa deste ambiente, uma experiência de paciência, amor, carinho, de ouvir, de pouco falar, de sabedoria no dizer e mais importante do que tudo isso: de confiar, no tratamento e acima de tudo, em Deus.
Eu confio!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
MAS LIVRAI-NOS DO MAL I - INTRODUÇÃO
Mas o que raios afinal é esta tal de depressão?
Quando eu mesmo, já enfastiado de ouvir falar sobre depressão e no alto de minha auto-suficiência sobre o tema, achava que fosse o dito mal apenas pura e simplesmente um sentir-se triste demais; fui pego de surpresa. Assustado acordei do torpor em que estava sobre este assunto ao ter dentro de casa um familiar a padecer do triste mal do século, a saber: depressão.
Este texto é a expressão escrita do que tenho visto, analisado, trocado com poucos amigos e aprendido sobre esta tal de depressão.
A história começa mais ou menos assim...
Dores, calafrios, irritabilidade, apatia, euforia, enjôos, náuseas, insônia, foram estes alguns sinais, os primeiros talvez, de que alguma coisa não estava indo bem com ela. Nem todos estes supracitados sintomas aconteceram juntos ou seqüenciados. Ora um, ora outro, ora uns, ora outros, mas o fato é que eles eram indicativos claros de que um desequilíbrio químico estava acontecendo e não foi percebido nem por ela mesma, nem pelos familiares, nem pelos muitos médicos que foram consultados.
O quadro foi se agravando paulatinamente e, sem informação adequada, sempre havia um remédio – receitado por médico – para cada um dos sintomas afinal era só um: mal jeito na coluna, uma queda de pressão, um problema gástrico, um estresse por causa das mudanças (de casa e da separação dos filhos).
A constatação de que o quadro era de depressão veio depois da exclusão dos seguintes diagnósticos: infecção urinária, toxoplasmose, problemas agravados pela osteoporose – ah sim! Estes diagnósticos não foram dados pelos médicos após a tal da anamnese. A própria que, sempre era interrogada pelos médicos que perguntavam: “O que a senhora acha que tem?” Ora pois e eu que pensei que os médicos estudavam justamente para que eles respondessem esta pergunta, e não o paciente. Vai ver que de uns tempos pra cá algumas coisas mudaram nas faculdades de medicina.
Uma ginecologista apontou uma luz certeira: depressão química por hipotireoidismo! Bingo!! Enfim um profissional como antigamente, que sabe o que faz.
E faz exame. E não é que o tal hormônio está mesmo bem baixo. A médica estava certa no diagnóstico e no tratamento para repor o hormônio e na indicação de terapia... e foi aí que começou, de fato, a parte mais complexa da história que é conviver com quem tem depressão.
O primeiro passo é aceitar... (continua...)
Quando eu mesmo, já enfastiado de ouvir falar sobre depressão e no alto de minha auto-suficiência sobre o tema, achava que fosse o dito mal apenas pura e simplesmente um sentir-se triste demais; fui pego de surpresa. Assustado acordei do torpor em que estava sobre este assunto ao ter dentro de casa um familiar a padecer do triste mal do século, a saber: depressão.
Este texto é a expressão escrita do que tenho visto, analisado, trocado com poucos amigos e aprendido sobre esta tal de depressão.
A história começa mais ou menos assim...
Dores, calafrios, irritabilidade, apatia, euforia, enjôos, náuseas, insônia, foram estes alguns sinais, os primeiros talvez, de que alguma coisa não estava indo bem com ela. Nem todos estes supracitados sintomas aconteceram juntos ou seqüenciados. Ora um, ora outro, ora uns, ora outros, mas o fato é que eles eram indicativos claros de que um desequilíbrio químico estava acontecendo e não foi percebido nem por ela mesma, nem pelos familiares, nem pelos muitos médicos que foram consultados.
O quadro foi se agravando paulatinamente e, sem informação adequada, sempre havia um remédio – receitado por médico – para cada um dos sintomas afinal era só um: mal jeito na coluna, uma queda de pressão, um problema gástrico, um estresse por causa das mudanças (de casa e da separação dos filhos).
A constatação de que o quadro era de depressão veio depois da exclusão dos seguintes diagnósticos: infecção urinária, toxoplasmose, problemas agravados pela osteoporose – ah sim! Estes diagnósticos não foram dados pelos médicos após a tal da anamnese. A própria que, sempre era interrogada pelos médicos que perguntavam: “O que a senhora acha que tem?” Ora pois e eu que pensei que os médicos estudavam justamente para que eles respondessem esta pergunta, e não o paciente. Vai ver que de uns tempos pra cá algumas coisas mudaram nas faculdades de medicina.
Uma ginecologista apontou uma luz certeira: depressão química por hipotireoidismo! Bingo!! Enfim um profissional como antigamente, que sabe o que faz.
E faz exame. E não é que o tal hormônio está mesmo bem baixo. A médica estava certa no diagnóstico e no tratamento para repor o hormônio e na indicação de terapia... e foi aí que começou, de fato, a parte mais complexa da história que é conviver com quem tem depressão.
O primeiro passo é aceitar... (continua...)
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