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domingo, 10 de outubro de 2010

406 - FUNDOS

Uma das mais inusitadas e maravilhosas experiências que coletivamente passamos a vivenciar desde que deixamos a vida errante e nômade para trás e nos organizamos - (?) - nas cidades, foi a de ter vizinhos.

E sejamos honestos: ter vizinhos é tudo de bom!

É a certeza de ter alguém para conversar sobre de tudo um pouco, ou muito mesmo; se falta o açúcar para o café, se o botijão de gás está no finzinho, se falta aquele troco para a condução, se a mistura está no fim, nas mais diversas situações o primeiro socorro vem do vizinho. Até mesmo o jornal de domingo, se o vizinho já leu dá pra pedir emprestado e ficar por dentro das notícias, dos acontecimentos. Não há como negar, na hora do aperto, vizinho é socorro garantido.

Mas se o vizinho for aquele tipo "flor-que-não-se-cheira" ou fizer a linha que "não-presta", ainda sim será bom tê-lo por perto para ser o assunto dos outros vizinhos.

Meus vizinhos também são ótimos. Minha vizinhança é agitada, movimentada por um forte e auspicioso comércio e como o que é bom deve ser repartido, divido com você caríssimo leitor que acompanha este blog toda a pujança da minha modesta vizinhança.

Em frente de casa há o salutar e sempre bem-frequentado Restaurante "Mosca Feliz" que servindo o que há de melhor da cozinha local cativa o "criente" amigo e onde sempre há música ao vivo nas embaladas noites de sexta. Este pitoresco espaço gourmet só não perde em movimento para o Galeto "Aves Raras", a mais nova opção gastronômica da região, que vende tudo o que tem, ou melhor, tinha pena, devidamente acompanhado de farofa e molho.

A "Casa de Carne Iça", a boutique de carnes destas paradas inova e expande as opções ao comercializar carne ao sol, refrigerada - técnica moderna e única que consiste em deixar a carne dentro do balcão frigorífico exposta ao sol.

A Padaria "Pane di Solla" juntamente com a Confeitaria "Doci-Mundo" concorrem bravamente para ver quem tem o pãozinho mais gorduroso e elástico ou o bolo confeitado a mais tempo exposto no balcão.

O Armazém "du Bagulio" seria uma típica mercearia de cidadezinha do interior com aguardente com raiz, fumo de rolo e cereais a granel se não fosse também a diversidade de outros produtos vendidos no local. Vai aqui a orientação ao incauto turista acidental que pelos lados de cá resolva perambular: ao pedir farinha, especifique se quer de trigo, de rosca, de milho ou mandioca, caso contrário a tua receita vai desandar.

O espaço dedicado aos animaizinhos de estimação é moderno e arrojado, trabalhando na vanguarda, lançando tendência sendo um espaço alternativo e mix: “Cão do Demo”, mistura de pet-shop, livraria, papelaria e casa de artigos de umbanda. Axé!

Toda vizinhança que se preze tem que ter um toque de requinte e glamour. É primordial a existência de um lugar para dar um “tapa” na aparência, renovar e remodelar a carcaça, ajustar a peruca e fazer outras pequenas alterações na lataria, então, o espaço "Mô & Créia Beauty Center" fecha com chave de ouro a rica e pitoresca experiência de ter vizinhos por estes lados de cá.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PIUÍÍÍÍ

A plataforma apinhada de gente já era um indicativo de que esta seria mais uma viagem desconfortavelmente normal.


O trem nem bem começara a aparecer na curva da linha férrea e o empurra-empurra já podia ser percebido por entre a massa humana.

Lentamente a composição de aproxima. Os freios são acionados. O cheiro de borracha queimada só não é mais forte e desconfortável do que o olor individual somado e adicionado na coletividade depois de um dia todo de árduo trabalho nesta cidade que, no inverno – e estamos nele apesar dos 35 graus – e no verão ainda é chamada de Cidade Maravilhosa.

Finalmente a poderosa, enferrujada e sucateada estrutura metálica para. Ouve-se um longo apito e as portas são abertas. Eu nunca vi pessoalmente mas talvez o estouro de uma boiada seja mais ordeiro e humano – por mais estranho que possa parecer – do que a indescritível cena das gentes tentando entrar, trocando a plataforma repleta e cheia por um vagão de trem idem.

Uma vez alojado no exíguo espaço que cabe – e mal cabe – a cada um, como coração de mãe, sempre cabe mais um, mais dois, três... e a cada estação, em função exponencial, o coletivo toma e adquire forma, significado e contato. Incontáveis são os encontros entre os corpos espremidos.

A massa humana agora mais parece carga humana. Logística perfeita no princípio de maximização do uso do espaço físico a fim de proporcionar a melhor relação custo-benefício para a empresa e o pior serviço para os usuários no tocante a qualidade, segurança, conforto, privacidade, educação, dignidade e respeito.

Sardinhas mortas em latas de metal em qualquer prateleira de mercado vão para o além – ou para o prato mesmo – com mais conforto e dignidade do que a digna população que sob a indigna condição é transportada.

O sacolejo da composição faz ajeitar o populacho fazendo vagar qualquer centímetro quadrado onde um corpo prensado certamente encontrará lugar.

Segue.
Sigo.
Seguimos viagem, nas retas e curvas da estrada de ferro;
no abrir e fechar das portas;
no ir e vir;
no parar, sair;
no chegar,
partir...

sábado, 20 de março de 2010

PELA HORA DO PLANETA

A Hora do Planeta é um movimento mundial promovido por uma ONG afim de chamar a atenção do mundo para questões relacionadas as mudanças climáticas e, em um nível mais elevado, pensar nas questões de conservação de todo o planeta.

Pois bem, este movimento prevê que no dia 27 de março deste ano algumas importantes cidades do mundo apaguem as luzes de monumentos e edifícios públicos e que o cidadão comum também se sinta sensibilizado e motivado a colaborar com tal iniciativa fazendo a sua parte que consiste em ficar por 1 hora no escurinho meditando na importância de sua contribuição individual para a coletividade global, etc, etc, etc...

Cá entre nós, cariocas, assim bem popular mesmo: E o quico com isso, hein?

Já dou minha contribuição de forma compulsória, pra bem da verdade, para o raio desta Hora do Planeta por obra e graça, quero dizer, desgraça dos péssimos serviços da Light - empresa concessionária de serviços de energia elétrica aqui da cidade do Rio de Janeiro - que, não mais de vez em quando mas, de vez em sempre me deixa no mais completo breu.

Quando a luz se vai é hora de um verdadeiro ritual: corre para puxar tudo quanto for fio de tudo quanto for tomada, pois quando a energia retornar – com muita sorte em menos de 24 horas – a possibilidade de queimadeira geral nos eletrodomésticos é altíssima. Realizada a prova do “puxar-da-tomada” é hora do “cadê-a-vela”. Tropeçando aqui e metendo o dedão do pé na quina de um móvel ali, você consegue achar o, já item da cesta-básica carioca, saquinho de velas e dependendo da intensidade de seu medo do escuro seus vizinhos, que senão estivessem em igual situação, poderiam pensar ter se transformado sua casa em algum centro religioso tamanha a quantidade velas acessas.

Ainda não é chegado o dia de A Hora do Planeta e o que eu já economizei de energia elétrica pelo desserviço da prestadora de serviço daria para iluminar a praça perto de casa que vive as escuras, cheia de marginais ávidos para que eu e tantos outros, na hora de A Hora do Planeta apaguemos as luzes e em meio a reflexões energéticas e conservacionistas, eles nos permitam também refletir sobre quão efêmero é o conceito da posse de bens, quão voláteis são as promessas na área de segurança pública e quão insegura é a vida.

Na criação do mundo Deus disse: “Haja luz”.
Pouco antes do fim do mundo a Light diz: “Apague a luz.” E temos mais um apagão no Rio de Janeiro!

Mas apagão, ou melhor, apagões – voluntários ou compulsórios -, não são apenas manifestações de preocupação ecológica ou atestado claro e evidente de incompetência nos mais variados níveis do setor elétrico, na matriz energética brasileira; apagões são também exercícios de pura democracia onde ricos e pobres sofrem e são tratados igualmente, ou quase isso. Veja comigo:

Durante o apagão eu, pobre, rapidamente terminei meu banho sob o chuveiro enquanto o Alcaide, rico, pediu para sua empregada trazer as velas, os sais de banho e ficou de molho, relaxando do dia tenso no escritório; Eu, corri para o telefone e gastei horas ouvindo uma musiquinha irritante esperando ser atendido pela empresa de energia elétrica enquanto o Alcaide ainda repousava em seu banho de beleza; Eu, sob a luz de uma única vela, debaixo de um calor insuportável, sem ventilador ou ar-condicionado e com nuvens de mosquitos (os da dengue!!) ao meu redor ainda aguardo para ser atendido pela empresa enquanto o Alcaide já terminou o seu banho e esta confortavelmente instalado em seus aposentos, sob refrigeração, vendo o telejornal que anuncia viver a cidade do Rio de Janeiro mais um apagão.

Ah, sim! Ele, o Alcaide, mora em um prédio nobre, de uma rua nobre, em um bairro nobre, com vizinhos nobres - sem nenhum pobre - e mandou instalar um potente gerador para garantir nobre energia aos nobres, pobres!

Gaste mais energia pensando nas pessoas ao invés de gastar pessoas para economizar energia.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

ALMA ZONA SUL

No apressado vai e vem dos teus diferentes pés.
No encontro desencontrado dos diferentes sotaques em tuas esquinas, calçadas, praças e jardins.
Lá estás!

Serpenteias e repousas placidamente nos braços da cidade que te acolheu.

De porte austero e burguês contrastas com a simplicidade e simpatia das almas muitas vezes ignoradas no transcorrer do tempo neste teu trânsito que pára e parado de detém. Retém e se faz refém na reta curva das ondas deste oceano azul de areias brancas que já não mais disfarça a língua negra, fétida e escura a revelar e apontar o disfarçado preconceito de teus sorridentes moradores.

Teu corpo suado, sarado, marcado pelo tempo, bronzeado... tudo em você se funde na indivisível amalgama de ter o mar como vizinho de porta.

Que charme!!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

RIO 40 E TANTOS GRAUS

Tenho experimentado as delícias, venturas e desventuras de viver o auge do verão carioca com o que ele tem de melhor: o sol. Não falo de um solzinho brando, ameno que surge plácida e docemente no horizonte, falo do astro-rei que tem feito torrar a paciência de muitos, inclusive a minha.

Acordar com sol “batendo” na janela tem quase o mesmo efeito de uma exposição direta no melhor estilo praiano então, como não tenho ar refrigerado no aposento onde repouso minha singela e modesta massa corpórea para o descanso, durmo de sunga de praia porque se perder a hora de levantar pelo menos já pego uma cor, já consigo um bronzeado matinal.

A ida para o trabalho ou uma mera saída de casa é parte do suplício do munícipe condução, seja ela de que tipo for, com ar-condicionado é milagre e quando passam vale tudo – tapas, socos, pontapés, dedo no olho, etc, etc, etc – para conseguir entrar primeiro e garantir um lugar sentado. Se você não conseguir fazer a viagem sentado dentro do “frescão” – como são carinhosamente chamados os ônibus que tem sistemas de ar-condicionado – conforte-se de pelo menos ser encoxado sob refrigeração.

Mas frescão é milagre e milagre só na igreja então resta o bom e velho, sempre velho, “quentão” mesmo. E vamos que vamos suando em bicas, sendo encoxado aqui, apertado ali, sacolejando feito pipoca no óleo quente. E se alguma coisa está ruim sempre pode piorar, o trânsito da um nó e tudo para e nada anda; no engarrafamento monstro o único que anda é o camelô de um lado para o outro anunciando a plenos pulmões o seu produto: “água, água mineral!”

O trabalho é oásis ou continuação do suplício infernal, tudo depende da quantidade de btu’s ou rpm’s. sair de baixo do ar-condicionado ou da frente do ventilador só se for em caso de extremíssima urgência-urgentíssima, como por exemplo, para atender ao chamado da mãe-natureza. E aí então você pode até levar uma folha de papel, um pedaço de cartolina, um leque, enfim, qualquer coisa que possa proporcionar-lhe algum frescor durante a atividade biológica. Cá entre nós: de mais-a-mais, nestas horas um ventinho circulando é bom para disfarçar o budum, né?

Hora do almoço é sempre surpresa. Onde comer sob um calor de fritar ovos no asfalto? Muitos restaurantes mantêm a tradição e oferecem os pratos mais “absurdos” neste calor: feijoada, leitãozinho a pururuca, peixe frito, buchada de bode, strogonoff. Mas se você achou isso “pesado” demais sempre existe uma opção mais “leve”, mais saudável, mais natural: sopa, e quente!! Tem maluco pra tudo mesmo.

No pouco espaço de tempo que resta pós-almoço e pré-trabalho vespertino, o negócio é procurar um lugar que tenha ar-condicionado e matar o tempo ali. Nesta busca qualquer lugar é válido: shopping, banco, farmácia, loja de doce, repartição pública, magazines, centro cultural, livraria, igreja, etc, etc, etc.

A volta para casa é tão cruel quanto a ida para o trabalho mas agora já não mais importa o aperto, o desconforto, a encoxada, o engarrafamento ou o camelô, o único que parece feliz no fim de um dia tão quente, que continua a anunciar a plenos pulmões o seu produto: “água, água mineral!”

Quero descanso, estou um bagaço.

Vou dormir de sunga porque amanhã, por certo, vai dar praia de novo... na minha cama.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

NA ESQUINA

Listra branca.
Faixa preta.
Zebra do asfalto nesta selva de pedra e pó.

Tronco de metal sem vida e cinza,
Sem galho, sem folha, cuja raiz é morta.
Tu és placa e torta.

Corpos de metal
Presos ao seringal.
Dragões a explosão.
Barrigas nunca vazias.
Fauna de estranhas formas
Carcaças doentes.
Disformes.

Varetas
Troncos e paus.
Estacas paralisadas
Farrapos ataviados.

Vidas guiadas por cores ao avanço do primeiro sinal.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MORENA, MARAVILHOSA

Era ainda noite.
E você dormia.
O clarão da lua sobre teu corpo nu.
Morena, sobre lençóis de cetim
Tu repousas, descansa.

Detenho-me admirando tua forma, curvas, tua bronzeada tez.
Não resito e me aproximo de ti.
Tremo.
Tu és linda por essência,
Maravilhosa, em canção.

Os dedos de minhas mãos encontram teus cabelos.
Te afago suave.
Teu cheiro.
Desejo.
Beijo tua fronte.

Você acorda,
Me olha,
Sorri.

Sussurro ao teu ouvido:
Sou eu, querida. Voltei.

sábado, 11 de outubro de 2008

1h30

Este é o tempo que tenho para almoçar. O que em uma grande cidade às vezes é considerado insuficiente, aqui é mais do que suficiente e ainda sobram vários minutos para, entre outras coisas, escrever.

Eu agora escrevo e enquanto escrevo vou, entre uma vírgula e outra, observando o que acontece.

Normalmente, após o almoço propriamente dito, sento em um dos bancos da praça central, que aqui não é a Praça da Matriz, para plácida e calmamente deixar o tempo fluir aproveitando-o da melhor forma possível.

A rodoviária agora está movimentada. Ônibus das cidades próximas chegam e saem, levando e trazendo quem mora aqui mas trabalha fora, quem trabalha aqui mas mora fora e quem vem apenas passear por aqui. Se a expressão “horário-católico” ainda significar exatidão, precisão, pontualidade, então, nesta cidade onde a maioria da população não professa a fé romana, os ônibus o são, pelo menos no que diz respeito aos horários.

A banca de revistas sempre atrai algum grupo de estudantes adolescentes de um dos colégios confessionais instalado ao lado da Igreja Matriz. Por ser típico da idade, estes estudantes são sempre meio barulhentos e passam pela banca para comprar alguma figurinha nova ou um sorvete; aproveitam e fazem graça com a foto de uma qualquer pelada e indiscreta que está impressa e exposta em um canto nem tão discreto da Banca do Caco.

Nas ruas do entorno o movimento de carros, motos, bicicletas e pessoas se intensifica, salvaguardadas as devidas proporções para esta grande pequena-cidade. Por aqui não há semáforos nos cruzamentos então sobra respeito e cordialidade no trânsito; certamente este é um sinal de desenvolvimento e do melhor tipo: desenvolvimento humano.

No único restaurante aberto para almoço em um dos cantos da praça, calmamente as pessoas entram e saem visualmente satisfeitas; não por causa do preço, pois este eu mesmo já experimentei e é levemente “salgado”. Vai ver é algum tempero local, algum ingrediente secreto que se incorporou ao molho e acaba por contagiar as pessoas satisfeitas em muitos aspectos desta vida com mais qualidade dela mesma.

No lado oposto ao restaurante, no canto da praça, tem início o movimento para a abertura do “cassino”. Um espaço democrático onde respeitáveis senhores, mas também o passante com tempo de fazer uma pausa – e tempo aqui é o que se têm – pode divertir-se em um animado jogo de cartas quer participando ativamente, jogando, quer assistindo e torcendo e rindo. SEIS! NOOOOVE! TRUUUUUCO! Não vale nada a dinheiro. Vale o prazer de encontrar os amigos e rir junto e, é claro, gritar TRUUUUUUCO e bater primeiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

FIM DE CAMPANHA

A semana passada, pelos lados de cá, aconteceram as últimas manifestações populares dos candidatos à prefeitura local. A disputa parece mais um festival de cores e três são as principais: vermelho, do candidato do partido estrelado; amarelo, do candidato do partido emplumado; verde, do candidatodo partido natural.

Nesta cidade que ainda não têm semáforo em nenhuma de suas esquinas, as cores eleitorais podem dizer muito, muito mais do que os próprios, por enquanto, adversários políticos.

O fato é que um dia antes do último comício, caiu um pé-d'água medonho, precedido de fortes rajadas de vento que levantaram a poeira das ruas ainda não asfaltadas ou pessimamente pavimentadas. Quando por fim a água veio, e veio com vontade, amontou todo o lixo e a sujeira depositados nas esquinas e terrenos baldios esquecidos temporariamente ou 'ad-aeternum' pelo mesmo poder político que agora, em três cores distintas, aos berros, promete resolver estas e outras questões adjacentes.

Duas cores resolveram então, pós tormenta natural, provocarem tormenta mútua e atormentarem os munícipes no último, berrado, acalorado e embarrado comício. Diferente do que acontecia uns tempos atrás, não sei se agora por força de lei ou falta de recursos, não houveram prelúdios, interlúdios e poslúdios musicais; já partiram os candidatos-coloridos (por favor, nenhuma referência àquele candidato collorido) às promessas... e como prometeram.

A retórica é sempre a mesma: ataque ao atual mandatário local, promessas-padrão (saúde, educação, transporte, moradia, asfalto...), ataque aos outros candidatos, interação com o eleitor (pede que uma família dê um depoimento...blá-blá-blá), mais promessas (agora as absurdas: gastar menos, ser honesto, aumentar o salário, diminuir os impostos) e fim do tétrico espetáculo democrático.

Apenas para registro: não fui aos comícios. Dada a generosidade dos candidatos, principalmente no que diz respeito ao volume de som, pude ouvir tudo perfeitamente do conforto da sala de minha casa.

Tomara, desta vez, tenhamos escolhido certo, para não ficarmos roxos de raiva pelos próximos quatro anos.

Qual a cor do seu voto? Preto combina com tudo!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ANA E BIA - III

Quem foi que disse que a vida é um mar de rosas, certamente deixou todos os espinhos na casa de Ana e Bia.

Costumeiramente sou acordado pelos gritos das irmãs quando uma delas e por vezes as duas vão ver a mãe. Sem um mínimo de paciência, bom senso ou respeito, quer com a mãe quer para com os hóspedes, falam aos berros com a pobre mãe esquecida em si mesma.

O hóspede fantasma também é um agente que a qualquer momento pode provocar um surto de gritos pelos corredores da casa; não por ser o dito hóspede um quase espectro, um “gasparzinho”, mas pelo fato de não ter renovado seu visto de permanência e ainda assim insistir em ficar.

Não importa a hora, se tarde da noite ou já alta madrugada, sempre há muito desrespeito e gritos e berros na casa. Hoje fui acordado por quase cinco minutos do mais puro escândalo impaciente das irmãs para com a mãe. O enredo é sempre o mesmo: grito de introdução, grito de súplica, uns resmungos, gritos e mais gritos de ameaça e termina com mais resmungos. Toda esta triste e lamentável e abjeta cena não dura nunca mais do que cindo minutos; festival gratuito de falta de respeito.

O problema, eu bem sei, é mais sério e profundo. Ainda assim, nada justifica a falta de respeito.

Agora só faltam 4 dias!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

ANA E BIA - II

Temos gente nova na casa.

O fim de semana na familiar pensão das irmãs foi reflexo do que é um fim de semana na cidade, ou seja, d.e..v...a....g.....a......r.

O sábado acordou quente e abafado. Como tive compromisso quase o dia todo, logo cedo levantei e saí, voltei depois do almoço e na parte da tarde saí novamente retornando só no começo da noite.

Domingão foi preguiçoso, chuvoso e frio. Chegou novo hóspede, um tipo grandão, falante, inteligente e bem alegre. Teremos vida nova por aqui, isso é bom. A morena sorridente, amiga das irmãs, passou por aqui e o dia já estava terminando.

Estes fins de semana que começam d.e..v...a....g.....a......r, invariavelmente terminam rápido demais.

Agora só faltam 5 dias!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

ANA & BIA - I

Enquanto aguardo o dia da mudança definitiva, me fiz hóspede no pensionato de Ana e Bia. Duas senhoras únicas, se é que você consegue me entender.

Ana diz que Bia, Bia diz que Ana, uma diz que a outra é louca e acaba sempre por trocar os pés pelas mãos, esta diz que aquela já apresenta fortes sinais de senilidade. Não sei não, mas acho que as duas são tão normais quanto muitos sãos que por aí estão.

Ana e Bia se revezam em cuidados com a mãe que, por causa de séria doença, perdeu-se em sua memória; seu corpo divide conosco a convivência no familiar pensionato de Ana e Bia, Bia e Ana.

Atualmente vivem em casa destas duas senhoras eu e mais três outros hóspedes.

Tenho conversado mais frequentemente com o homem que trabalha em um banco. Este é um rapaz gente fina, sempre bem humorado, ponderado em suas colocações; temos rido bastante enquanto dividimos o tempo sentados nos sofás da sala, vendo televisão juntamente com as irmãs-proprietárias.

O outro hóspede é um rapaz novinho, já cliente antigo das irmãs. Ele chega normalmente tarde da noite. Trabalha e estuda muito. Pouco falamos, pouco nos vemos, só nos apresentamos e nada mais.

O último hóspede é um fantasma. Instalado no quarto dos fundos, entra sempre pelo corredor lateral. De pouca interação, poucas palavras... vai ver é tímido! Nunca vi o figura, só ouço o som de seus passos e o som de portas batendo quando ele está na casa. É o próprio fantasma.

Dois amigos das irmãs sempre estão pela casa. O conselheiro-amigo, um jovem rapaz sério e bem estudado e uma morena sorridente.

Invariavelmente nos encontramos na sala, na frente da televisão e a prosa corre solta durante os intervalos comerciais das novelas, telejornais e horário político.

Esta próxima semana, minha última semana por aqui teremos novos colegas de casa. Tomara haja tempo suficiente para interação.

Agora só faltam 7 dias!

terça-feira, 6 de maio de 2008

BALÃO-MÁGICO

Estes dias fui surpreendido pela notícia de umas luzes, quer dizer, fenômenos luminosos no céu paulista. Rapidamente veio o veredito popular e aí não importava se a base era científica ou etílica: era ET, disco-voador, OVNI. Eu mesmo, confesso, pensei se tratar dos parentes daquele ET barbeiro que despencou em Varginha.

Fiquei animadão. Finalmente uma coisa diferente como notícia. Não mais um casal dissimulado na TV tentando explicar o inexplicável. Agora era gente que estuda, cientistas falando de luzes, de tragetória, de história, explicando fatos... ou seriam boatos??!

Mais alguns dias se passaram e veio a confirmação. As luzes, o clarão era apenas um balão destes em homenagem a São João e outros santos juninos. Caí no riso ao pensar que para economizar nas férias, tem ET trocando a Enterprise por um bexigão de festa - se liga aí Dr. Spock!

Que a força, ou a falta dela, esteja convosco!

Fui! Para o alto e avante!!

A trilha sonora desta odisséia? "Super-fantástico, do balão-mágico, o mundo fica bem mais divertido..."

segunda-feira, 14 de abril de 2008

CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO III

Uma de minhas colegas de coletividade recentemente resolveu dar uma mudada no visual. Verdade seja dita... a genética não lhe havia sido muito favorável então ela decidiu dar uma ajuda à mãe-natureza.

Economizou mundos e fundos e entrou na faca. Voltou outra! Tudo novo, tudo dela e a estréia foi cercada de muito glamour: no busão, lotado. Nariz, lábios, peitos e bunda (ops!) tudo zerado, novinho em folha.

Mas foi ai então que a moça, agora remodelada, versão 2008, passou a sentir-se incomodada com o aperto coletivo no coletivo. Oras bolas! Princesa, venda as próteses e compre um carro. Para andar de ônibus é preciso ter peito. Linda, agora você já têm... lindos!!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO II

Já escrevi sobre o feito épico que é viajar nos coletivos por estes lados de cá. Hoje escreverei sobre uma outra faceta interessante: meus colegas nesta incrível odisséia.

Putz, grilo, que nhaca medonha é essa? Este foi o primeiro pensamento que veio à mente quando entrei no ônibus. Será que sou eu?? Rapidamente fiz o "check-up anti-nhaca" que consiste em verificar os níveis de: bafo do dragão, desodorante vencido, caquinha de cão na sola do sapato. Ufa! Todos estes índices foram negativos... então alguém me responda: Que budum é esse?

Rapidamente meus olhos rastrearam todo o ambiente em busca da fonte geradora de tão intenso, único e inusitado odor. Olho para a direita, esquerda... Tenho a sensação que todos os meus cinco sentidos estão em pleno funcionamento, usando o máximo de suas capacidades.

Nada!! Absolutamente nada. Não consigo captar a origem. Penso então que estou sentindo coisas; por certo devido a fome ou então sinal de início do processo de falência sensorial, afinal já não sou assim tãããão jovem.

Não consigo sossegar. Estou em pé perto de uma janela aberta, vento no rosto e lá vem o cheiro estranho de novo. Mais uma vez ativo os sensores em busca da origem. É então que olho para baixo e surpreendentemente eis que vejo um respeitável e tranquilo senhor sentando, sacola de mercado nas mãos e saindo dela posso vislumbrar com nitidez a cauda do almoço de páscoa: bacalhau!

Ri comigo mesmo; também rio, só que de mim, o senhor dono do peixe.

E fim da história.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO I

Viver em cidades nem tão grandes, nem tão pequenas pode significar passar por experiências quase místicas no que diz respeito ao direito universal e constitucional de ir e vir com conforto, segurança, rapidez e tendo, se possível, sua individualidade preservada.

Eu, mortal e pobre, ou melhor dizendo pobre e mortal, usuário da solução que o poder público oferece no que diz respeito a transporte, a saber, ônibus, para os mais íntimo e chegados - e aqui dentro dos ônibus somos todos chegados e beeeem chegados - busão; tenho desfrutado de inusitadas e não menos pândegas experiências.

No intuito de promover a criação e a manutenção de vínculos bem estreitos e próximos entre os usuários deste sistema, a municipalidade tem se empenhado com esmero e afinco únicos e os resultados são prodigiosos. Nos horários de pico - quando o número de passageiros cresce - mas também fora deste, é cena comum ver o munícipe atolado, entalado, atochado, socado, espremido, apertado (ufa! deu falta de ar agora!) dentro ou nas janelas e portas dos coletivos.

Se você conseguir entrar já é façanha digna de nota no seu diário: "Meu querido diário, hoje consegui entrar no ônibus...". Só que ônibus é vitrine e ai você vai desfilando suas costas e a protuberância calipígea, ou não, por toda a cidade já que você está devidamente acomodado junto com a placa indicativa, posta no vidro dianteiro, aonde se pode agora não somente ler a indicação do roteiro mas também ver a sua... digamos, singela e modesta "popancinha".

Sempre há uma "tia" forte, gordinha, redonda e levemente roliça para atravancar o processo de passar a catraca ou roleta; sem contar os "cabeças-de-vento" que só resolvem ver o valor da passagem seja em dinheiro, passe de papel ou cartão magnético na hora em que conseguem chegar na roleta.

Graças aos céus consegui passar e neste ponto já levei 2 cotoveladas, 3 pisadas no pé sendo somente 2 com pedidos de desculpas, 1 beliscão, 2 fungadas no cangote, 5 encoxadas, 1 espirrada, tem uma senhora na minha frente segurando a bolsa e olhando pra mim com cara feia como se eu fosse subtraír-lhe os pertences tamanha é a intensidade de nosso contato físico, tem também um cara me olhando de um jeito estranho que, só não meto-lhe a mão nas fuças pois se tirar minha mão de onde estou, perco meu ponto de apoio.

Segue viagem. O sacolejar do ônibus ajuda a ajuntar a massa humana em seu interior; é um tal de curva pra direita, depois pra esquerda e acelera e freia ... é só gente entrando e ninguém saindo... será que ninguém vai descer não??

Finalmente é tempo de descer, estou estratégicamente instalado perto da porta de saída; o ônibus pára, a porta se abre e eu 'ploft' sou quase cuspido, parido para fora do coletivo. Faço então rapidamente uma checagem para saber se por algum acaso ou por descuido não deixei nada lá dentro: celular, carteira, crachá, agenda, óculos... tudo no seu devido lugar.

Olho então para mim... estou parecendo uma bolinha de papel. Parece que dei folga para a passadeira ou então tive uma briga medonha com o ferro de passar. Menos mal. Antes o ferro do que a galera do busão e fico por aqui... amanhã, é tudo de novo.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

REZA FORTE

O prefeito da cidade do Rio de Janeiro e sua côrte, devidamente amparado pelo senhor governador do estado, têm desenvolvido um plano fabuloso e porque não dizer, genial, para acabar com a maior e melhor e mais importante beleza que esta cidade cantada em verso e prosa, imortalizada em quadros, pinturas, painéis e fotografias têm: sua gente!

Os cariocas, nativos ou importados, têm em sua alma e em sua essência o gosto pelo belo (ainda que conceituar o "belo" seja altamente subjetivo). Cariocas gostam de falar e quando falam, chiam e quando chiam, riem e quando riem, se soltam e se abrem e se fazem amigos ou como eles mesmos dizem: "tu vira paRceiro, sangue-bom". Cariocas são sangue-bom!

Cariocas gostam de carinho, abraço, beijinho, afago, cafuné, de falar pegando, de pegar falando, de falar que "tá pegando" sem estar só pra tirar uma "ondinha", ter história para contar aos amigos; mas se você nem é amigo e ouvir a história acaba ficando amigo.

Cariocas são assim... ou eram...

Um mosquito de asas, nas asas da ingerência, incompetência, insensibilidade e outros "ins" de gestão ou melhor dizendo, da ausência ou má gestão; este mosquitinho tem assolado esta brava gente que sofre com tamanha omissão, descaso e mais recentemente com a ironia do senhor alcaide, prefeito-virtual, César Maia que fugindo da imprensa local, em festa, isso mesmo... festa, festejando o aniversário da quadrilha... ops! partido político ao qual é filiado, em terras bahianas, longe, distante, afastado e seguro de ser pelo mosquito atormentado, pediu aos santos que levassem para o mar este vil inseto.

Eis a prece do alcaide em favor dos munícipes: "Pedi ao Senhor do Bonfim que nos ajude, que leve o mosquito da dengue em direção ao oceano e que nos proteja."

Ora senhor prefeito, nós também sabemos rezar e fazemos ao Senhor do Bonfim ou a quem puder nos atender a seguinte prece: "Pedimos ao Senhor que dê bom fim, que nos ajude, que leve o prefeito-mosquito, que é dengue, em direção ao oceano ou outro lugar o mais distante possível e que nos proteja dele."

Amém!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A cidade denominada de a “capital do vale” ainda tem alguns traços bem marcantes de cidades interioranas, por exemplo: abundam pensões familiares, quase como na época das boiadas e invernadas e tropeiros que ao serpentearem junto ao rio Paraíba, por estas paragens ficavam esperando que a Virgem, cuja estátua escura fôra recém encontrada, os salvassem das feras que soltas, pela beira do mesmo rio, aguardavam fazer sua próxima refeição, fosse peixe, vaca ou peão.

Outro aspecto peculiar são as “moças” da chamada “vida-fácil”, aquelas que fazem do meretrício seu ofício quase de registro senão o for desde batismo, visto serem todas, sem exceção parte do patrimônio histórico desta cidade. Pois bem, tais donzelas cuja beleza pode ser tema dos mais controversos, ainda estão garbosamente, se é que assim se pode dizer, a soltar galanteios ao quase distraído passante que estiver a circular pela praça central em plena luz do dia, luz da tarde ou também na ausência de luz da noite. Justiça seja feita! As meninas não incomodam ninguém. Elas estão lá a desfilar, perambular, circular, passear e entre um olhar e outro... ops! Lá vai uma delas. Sozinha? Duvido. A dama já acertou companhia. E na praça central tudo continua normal.

Aos domingos o comércio fecha; as igrejas abrem. O burburinho das gentes circulando durante toda a semana é substituído pelo silêncio, quase sepulcral das ruas vazias ou quase desertas. Um passante com seu cãozinho a emporcalhar a calçada está logo depois daquela esquina. Dois moleques em suas bicicletas brincam de zigue-zague pela rua onde um carro passa em tão pouca velocidade que parece estar em câmera lenta. Duas senhoras com seus terços indicam que a missa do meio-dia et finis. A porta da igreja fecha, e a dos restaurantes abrem... Amém!

Se quiser comprar um jornal ou revista há que se ter cuidado pois as bancas de jornais, são seletivas, veja só. Existem bancas só para revistas, outras só para jornais, outras só para revistas antigas, outras só para revistas de sacanagem e aproveitando que tocamos no assunto.... Tu acredita que as “paradas” de sacanagem aqui só funcionam até as 22h? Pode??? Se der vontade de fazer um sexozinho casual em um ambiente um pouco mais discreto só se for até as 10 horas da noite... depois disso resolva-se como quiser. Coisa de cidade do interior.

Mas falávamos do movimento de domingo, que quase tudo fecha, por isso é uma sacanagem. Pois bem... o jornal que circula aqui na segunda-feira é o mesmo que circulou no domingo. Como domingo não se trabalha então não é impresso jornal. Na segunda você lê as notícias de sábado no jornal que saiu no domingo. Entendeu? Em resumo: compra o jornal de domingo, depois só na terça-feira e tá tudo certo!

O programa para o cidadão joseense é ir para o parque com a família. Aha! agora temos opção de lazer. Existem dois grandes, ops... força de expressão; vou reescrever. Existe um grande parque com boas áreas verde, de recreação e trilhas para caminhadas. Para que você possa ter uma noção, seria uma mistura de Quinta da Boa Vista (pelo perfil dos freqüentadores) com uma pitada de Aterro do Flamengo (pela distribuição do verde) detalhe: não existe mar aqui tá... a imagem do Aterro você pega só a área verde. Pois bem, conseguiu montar na tua cabeça a imagem do parque ??? ... é o Parque da Cidade.
O outro parque fica no coração de uma região um pouco mais requintada, é o parque Santos Dumont: uma mistura de Lagoa Rodrigo de Freitas em miniatura, mas bem miniatura mesmo e uma porção do Baixo Leblon (pelo perfil dos freqüentadores); montou a imagem cerebralmente??? Você caminha numa pista de aproximadamente 1800 metros com mães, pais e filhos, muitos filhos, diversos filhos de todos os tamanhos, cores e sabores. Para que possa ter uma idéia mais exata: pegue as mães e crianças do baixo Leblon e coloque-os numa pista de (uau!) 1800 metros . É de enlouquecer!! Mas, no final de quatro voltas você já não está nem aí pra nada, literalmente falando. Você está fora do parque, sentado tomando uma água de côco e sonhando com os tempos em que caminhava do Leme ao Leblon... momento nostalgia!

A proximidade com a capital faz com que muitos dos que aqui vivem estejam sempre em constate vai-e-vem. Por modestos R$ 16,00 você vai para a “cidade grande” em apenas 1h30; e por outros R$ 16,00 você volta da “cidade grande”. Eu mesmo já fiz este percurso e é ótimo. Não o percurso em si, mas a proximidade com um grande centro. São Paulo com sua arquitetura, estilo, comércio, mistura de gentes e trânsito (Ave Maria! nem lembra) próprios exerce forte influência no ritmo das cidades menores que estão em sua volta e São José é uma delas. Muitos dos que aqui residem, estudam e trabalham na capital. Vida cultural, shows, teatros, grandes espetáculos e eventos acontecem a apenas 1h30 de ônibus daqui. Parte dos lojistas, principalmente do comércio mais popular, pode até negar mas que é assíduo freqüentador dos bazares, quitandas, lojas, mercearias, boxes, barracas populares e afins da famosa 25 de março, isto é sim. Um verdadeiro céu de quinquilharias e outros badulaques bem legais e baratos.

Outro aspecto peculiar é que estamos bem próximos da montanha e do mar. Estamos a cerca de 90 quilômetros da praia. Tudo bem que eu gosto de caminhar mas 90 quilômetros para ver água salgada e areia, não dá mesmo! Prometo que qualquer dia desses eu vou e ai conto como é a praia dos paulistas. Espero que haja sol. Ultimamente tem feito muito, mas muito frio mesmo. E por falar em frio, a proximidade com a montanha deixa São José a “meio-caminho” da badalada Campos do Jordão que eu irei visitar somente depois de comprar uns três casacos bem quentes.

A cidade cresce em um ritmo ordenado. Existe um programa de desfavelização fantástico. Onde antes tinha favela hoje existem praças ou áreas verdes e as famílias que moravam nestes lotes ocupados irregularmente foram transferidas para bairros com toda a infra-estrutura básica. Para se ter uma idéia da ordem que por aqui existe, até o transporte alternativo daqui é organizado com horário e tudo certinho.

A energia daqui da cidade é toda distribuída em 220V. Eu, antes que você me pergunte, estou para todos, eu disse todos os assuntos, exceto trabalho, operando na faixa dos 110V. E por hoje... chega!