Quem foi que disse que a vida é um mar de rosas, certamente deixou todos os espinhos na casa de Ana e Bia.
Costumeiramente sou acordado pelos gritos das irmãs quando uma delas e por vezes as duas vão ver a mãe. Sem um mínimo de paciência, bom senso ou respeito, quer com a mãe quer para com os hóspedes, falam aos berros com a pobre mãe esquecida em si mesma.
O hóspede fantasma também é um agente que a qualquer momento pode provocar um surto de gritos pelos corredores da casa; não por ser o dito hóspede um quase espectro, um “gasparzinho”, mas pelo fato de não ter renovado seu visto de permanência e ainda assim insistir em ficar.
Não importa a hora, se tarde da noite ou já alta madrugada, sempre há muito desrespeito e gritos e berros na casa. Hoje fui acordado por quase cinco minutos do mais puro escândalo impaciente das irmãs para com a mãe. O enredo é sempre o mesmo: grito de introdução, grito de súplica, uns resmungos, gritos e mais gritos de ameaça e termina com mais resmungos. Toda esta triste e lamentável e abjeta cena não dura nunca mais do que cindo minutos; festival gratuito de falta de respeito.
O problema, eu bem sei, é mais sério e profundo. Ainda assim, nada justifica a falta de respeito.
Agora só faltam 4 dias!
Aqui coloco fragmentos de idéias, instantes, momentos, pensamentos. Sinta-se à vontade para comentar, discutir, concordar e discordar. Esta é uma arena pública aonde todos são bem-vindos. Coloque-se confortavelmente instalado em frente a tela do seu computador e deixe que seus olhos e cérebro trabalhem enquanto tua mente passeia no universo das palavras. Forte abraço, O Autor
Mostrando postagens com marcador São José dos Campos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador São José dos Campos. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
ANA E BIA - II
Temos gente nova na casa.
O fim de semana na familiar pensão das irmãs foi reflexo do que é um fim de semana na cidade, ou seja, d.e..v...a....g.....a......r.
O sábado acordou quente e abafado. Como tive compromisso quase o dia todo, logo cedo levantei e saí, voltei depois do almoço e na parte da tarde saí novamente retornando só no começo da noite.
Domingão foi preguiçoso, chuvoso e frio. Chegou novo hóspede, um tipo grandão, falante, inteligente e bem alegre. Teremos vida nova por aqui, isso é bom. A morena sorridente, amiga das irmãs, passou por aqui e o dia já estava terminando.
Estes fins de semana que começam d.e..v...a....g.....a......r, invariavelmente terminam rápido demais.
Agora só faltam 5 dias!
O fim de semana na familiar pensão das irmãs foi reflexo do que é um fim de semana na cidade, ou seja, d.e..v...a....g.....a......r.
O sábado acordou quente e abafado. Como tive compromisso quase o dia todo, logo cedo levantei e saí, voltei depois do almoço e na parte da tarde saí novamente retornando só no começo da noite.
Domingão foi preguiçoso, chuvoso e frio. Chegou novo hóspede, um tipo grandão, falante, inteligente e bem alegre. Teremos vida nova por aqui, isso é bom. A morena sorridente, amiga das irmãs, passou por aqui e o dia já estava terminando.
Estes fins de semana que começam d.e..v...a....g.....a......r, invariavelmente terminam rápido demais.
Agora só faltam 5 dias!
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
ANA & BIA - I
Enquanto aguardo o dia da mudança definitiva, me fiz hóspede no pensionato de Ana e Bia. Duas senhoras únicas, se é que você consegue me entender.
Ana diz que Bia, Bia diz que Ana, uma diz que a outra é louca e acaba sempre por trocar os pés pelas mãos, esta diz que aquela já apresenta fortes sinais de senilidade. Não sei não, mas acho que as duas são tão normais quanto muitos sãos que por aí estão.
Ana e Bia se revezam em cuidados com a mãe que, por causa de séria doença, perdeu-se em sua memória; seu corpo divide conosco a convivência no familiar pensionato de Ana e Bia, Bia e Ana.
Atualmente vivem em casa destas duas senhoras eu e mais três outros hóspedes.
Tenho conversado mais frequentemente com o homem que trabalha em um banco. Este é um rapaz gente fina, sempre bem humorado, ponderado em suas colocações; temos rido bastante enquanto dividimos o tempo sentados nos sofás da sala, vendo televisão juntamente com as irmãs-proprietárias.
O outro hóspede é um rapaz novinho, já cliente antigo das irmãs. Ele chega normalmente tarde da noite. Trabalha e estuda muito. Pouco falamos, pouco nos vemos, só nos apresentamos e nada mais.
O último hóspede é um fantasma. Instalado no quarto dos fundos, entra sempre pelo corredor lateral. De pouca interação, poucas palavras... vai ver é tímido! Nunca vi o figura, só ouço o som de seus passos e o som de portas batendo quando ele está na casa. É o próprio fantasma.
Dois amigos das irmãs sempre estão pela casa. O conselheiro-amigo, um jovem rapaz sério e bem estudado e uma morena sorridente.
Invariavelmente nos encontramos na sala, na frente da televisão e a prosa corre solta durante os intervalos comerciais das novelas, telejornais e horário político.
Esta próxima semana, minha última semana por aqui teremos novos colegas de casa. Tomara haja tempo suficiente para interação.
Agora só faltam 7 dias!
Ana diz que Bia, Bia diz que Ana, uma diz que a outra é louca e acaba sempre por trocar os pés pelas mãos, esta diz que aquela já apresenta fortes sinais de senilidade. Não sei não, mas acho que as duas são tão normais quanto muitos sãos que por aí estão.
Ana e Bia se revezam em cuidados com a mãe que, por causa de séria doença, perdeu-se em sua memória; seu corpo divide conosco a convivência no familiar pensionato de Ana e Bia, Bia e Ana.
Atualmente vivem em casa destas duas senhoras eu e mais três outros hóspedes.
Tenho conversado mais frequentemente com o homem que trabalha em um banco. Este é um rapaz gente fina, sempre bem humorado, ponderado em suas colocações; temos rido bastante enquanto dividimos o tempo sentados nos sofás da sala, vendo televisão juntamente com as irmãs-proprietárias.
O outro hóspede é um rapaz novinho, já cliente antigo das irmãs. Ele chega normalmente tarde da noite. Trabalha e estuda muito. Pouco falamos, pouco nos vemos, só nos apresentamos e nada mais.
O último hóspede é um fantasma. Instalado no quarto dos fundos, entra sempre pelo corredor lateral. De pouca interação, poucas palavras... vai ver é tímido! Nunca vi o figura, só ouço o som de seus passos e o som de portas batendo quando ele está na casa. É o próprio fantasma.
Dois amigos das irmãs sempre estão pela casa. O conselheiro-amigo, um jovem rapaz sério e bem estudado e uma morena sorridente.
Invariavelmente nos encontramos na sala, na frente da televisão e a prosa corre solta durante os intervalos comerciais das novelas, telejornais e horário político.
Esta próxima semana, minha última semana por aqui teremos novos colegas de casa. Tomara haja tempo suficiente para interação.
Agora só faltam 7 dias!
terça-feira, 6 de maio de 2008
BALÃO-MÁGICO
Estes dias fui surpreendido pela notícia de umas luzes, quer dizer, fenômenos luminosos no céu paulista. Rapidamente veio o veredito popular e aí não importava se a base era científica ou etílica: era ET, disco-voador, OVNI. Eu mesmo, confesso, pensei se tratar dos parentes daquele ET barbeiro que despencou em Varginha.
Fiquei animadão. Finalmente uma coisa diferente como notícia. Não mais um casal dissimulado na TV tentando explicar o inexplicável. Agora era gente que estuda, cientistas falando de luzes, de tragetória, de história, explicando fatos... ou seriam boatos??!
Mais alguns dias se passaram e veio a confirmação. As luzes, o clarão era apenas um balão destes em homenagem a São João e outros santos juninos. Caí no riso ao pensar que para economizar nas férias, tem ET trocando a Enterprise por um bexigão de festa - se liga aí Dr. Spock!
Que a força, ou a falta dela, esteja convosco!
Fui! Para o alto e avante!!
A trilha sonora desta odisséia? "Super-fantástico, do balão-mágico, o mundo fica bem mais divertido..."
Fiquei animadão. Finalmente uma coisa diferente como notícia. Não mais um casal dissimulado na TV tentando explicar o inexplicável. Agora era gente que estuda, cientistas falando de luzes, de tragetória, de história, explicando fatos... ou seriam boatos??!
Mais alguns dias se passaram e veio a confirmação. As luzes, o clarão era apenas um balão destes em homenagem a São João e outros santos juninos. Caí no riso ao pensar que para economizar nas férias, tem ET trocando a Enterprise por um bexigão de festa - se liga aí Dr. Spock!
Que a força, ou a falta dela, esteja convosco!
Fui! Para o alto e avante!!
A trilha sonora desta odisséia? "Super-fantástico, do balão-mágico, o mundo fica bem mais divertido..."
segunda-feira, 14 de abril de 2008
CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO III
Uma de minhas colegas de coletividade recentemente resolveu dar uma mudada no visual. Verdade seja dita... a genética não lhe havia sido muito favorável então ela decidiu dar uma ajuda à mãe-natureza.
Economizou mundos e fundos e entrou na faca. Voltou outra! Tudo novo, tudo dela e a estréia foi cercada de muito glamour: no busão, lotado. Nariz, lábios, peitos e bunda (ops!) tudo zerado, novinho em folha.
Mas foi ai então que a moça, agora remodelada, versão 2008, passou a sentir-se incomodada com o aperto coletivo no coletivo. Oras bolas! Princesa, venda as próteses e compre um carro. Para andar de ônibus é preciso ter peito. Linda, agora você já têm... lindos!!
Economizou mundos e fundos e entrou na faca. Voltou outra! Tudo novo, tudo dela e a estréia foi cercada de muito glamour: no busão, lotado. Nariz, lábios, peitos e bunda (ops!) tudo zerado, novinho em folha.
Mas foi ai então que a moça, agora remodelada, versão 2008, passou a sentir-se incomodada com o aperto coletivo no coletivo. Oras bolas! Princesa, venda as próteses e compre um carro. Para andar de ônibus é preciso ter peito. Linda, agora você já têm... lindos!!
Marcadores:
Cidades,
Crônicas da Cidade,
São José dos Campos
sexta-feira, 11 de abril de 2008
CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO II
Já escrevi sobre o feito épico que é viajar nos coletivos por estes lados de cá. Hoje escreverei sobre uma outra faceta interessante: meus colegas nesta incrível odisséia.
Putz, grilo, que nhaca medonha é essa? Este foi o primeiro pensamento que veio à mente quando entrei no ônibus. Será que sou eu?? Rapidamente fiz o "check-up anti-nhaca" que consiste em verificar os níveis de: bafo do dragão, desodorante vencido, caquinha de cão na sola do sapato. Ufa! Todos estes índices foram negativos... então alguém me responda: Que budum é esse?
Rapidamente meus olhos rastrearam todo o ambiente em busca da fonte geradora de tão intenso, único e inusitado odor. Olho para a direita, esquerda... Tenho a sensação que todos os meus cinco sentidos estão em pleno funcionamento, usando o máximo de suas capacidades.
Nada!! Absolutamente nada. Não consigo captar a origem. Penso então que estou sentindo coisas; por certo devido a fome ou então sinal de início do processo de falência sensorial, afinal já não sou assim tãããão jovem.
Não consigo sossegar. Estou em pé perto de uma janela aberta, vento no rosto e lá vem o cheiro estranho de novo. Mais uma vez ativo os sensores em busca da origem. É então que olho para baixo e surpreendentemente eis que vejo um respeitável e tranquilo senhor sentando, sacola de mercado nas mãos e saindo dela posso vislumbrar com nitidez a cauda do almoço de páscoa: bacalhau!
Ri comigo mesmo; também rio, só que de mim, o senhor dono do peixe.
E fim da história.
Putz, grilo, que nhaca medonha é essa? Este foi o primeiro pensamento que veio à mente quando entrei no ônibus. Será que sou eu?? Rapidamente fiz o "check-up anti-nhaca" que consiste em verificar os níveis de: bafo do dragão, desodorante vencido, caquinha de cão na sola do sapato. Ufa! Todos estes índices foram negativos... então alguém me responda: Que budum é esse?
Rapidamente meus olhos rastrearam todo o ambiente em busca da fonte geradora de tão intenso, único e inusitado odor. Olho para a direita, esquerda... Tenho a sensação que todos os meus cinco sentidos estão em pleno funcionamento, usando o máximo de suas capacidades.
Nada!! Absolutamente nada. Não consigo captar a origem. Penso então que estou sentindo coisas; por certo devido a fome ou então sinal de início do processo de falência sensorial, afinal já não sou assim tãããão jovem.
Não consigo sossegar. Estou em pé perto de uma janela aberta, vento no rosto e lá vem o cheiro estranho de novo. Mais uma vez ativo os sensores em busca da origem. É então que olho para baixo e surpreendentemente eis que vejo um respeitável e tranquilo senhor sentando, sacola de mercado nas mãos e saindo dela posso vislumbrar com nitidez a cauda do almoço de páscoa: bacalhau!
Ri comigo mesmo; também rio, só que de mim, o senhor dono do peixe.
E fim da história.
Marcadores:
Cidades,
Crônicas da Cidade,
São José dos Campos
quinta-feira, 10 de abril de 2008
CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO I
Viver em cidades nem tão grandes, nem tão pequenas pode significar passar por experiências quase místicas no que diz respeito ao direito universal e constitucional de ir e vir com conforto, segurança, rapidez e tendo, se possível, sua individualidade preservada.
Eu, mortal e pobre, ou melhor dizendo pobre e mortal, usuário da solução que o poder público oferece no que diz respeito a transporte, a saber, ônibus, para os mais íntimo e chegados - e aqui dentro dos ônibus somos todos chegados e beeeem chegados - busão; tenho desfrutado de inusitadas e não menos pândegas experiências.
No intuito de promover a criação e a manutenção de vínculos bem estreitos e próximos entre os usuários deste sistema, a municipalidade tem se empenhado com esmero e afinco únicos e os resultados são prodigiosos. Nos horários de pico - quando o número de passageiros cresce - mas também fora deste, é cena comum ver o munícipe atolado, entalado, atochado, socado, espremido, apertado (ufa! deu falta de ar agora!) dentro ou nas janelas e portas dos coletivos.
Se você conseguir entrar já é façanha digna de nota no seu diário: "Meu querido diário, hoje consegui entrar no ônibus...". Só que ônibus é vitrine e ai você vai desfilando suas costas e a protuberância calipígea, ou não, por toda a cidade já que você está devidamente acomodado junto com a placa indicativa, posta no vidro dianteiro, aonde se pode agora não somente ler a indicação do roteiro mas também ver a sua... digamos, singela e modesta "popancinha".
Sempre há uma "tia" forte, gordinha, redonda e levemente roliça para atravancar o processo de passar a catraca ou roleta; sem contar os "cabeças-de-vento" que só resolvem ver o valor da passagem seja em dinheiro, passe de papel ou cartão magnético na hora em que conseguem chegar na roleta.
Graças aos céus consegui passar e neste ponto já levei 2 cotoveladas, 3 pisadas no pé sendo somente 2 com pedidos de desculpas, 1 beliscão, 2 fungadas no cangote, 5 encoxadas, 1 espirrada, tem uma senhora na minha frente segurando a bolsa e olhando pra mim com cara feia como se eu fosse subtraír-lhe os pertences tamanha é a intensidade de nosso contato físico, tem também um cara me olhando de um jeito estranho que, só não meto-lhe a mão nas fuças pois se tirar minha mão de onde estou, perco meu ponto de apoio.
Segue viagem. O sacolejar do ônibus ajuda a ajuntar a massa humana em seu interior; é um tal de curva pra direita, depois pra esquerda e acelera e freia ... é só gente entrando e ninguém saindo... será que ninguém vai descer não??
Finalmente é tempo de descer, estou estratégicamente instalado perto da porta de saída; o ônibus pára, a porta se abre e eu 'ploft' sou quase cuspido, parido para fora do coletivo. Faço então rapidamente uma checagem para saber se por algum acaso ou por descuido não deixei nada lá dentro: celular, carteira, crachá, agenda, óculos... tudo no seu devido lugar.
Olho então para mim... estou parecendo uma bolinha de papel. Parece que dei folga para a passadeira ou então tive uma briga medonha com o ferro de passar. Menos mal. Antes o ferro do que a galera do busão e fico por aqui... amanhã, é tudo de novo.
Eu, mortal e pobre, ou melhor dizendo pobre e mortal, usuário da solução que o poder público oferece no que diz respeito a transporte, a saber, ônibus, para os mais íntimo e chegados - e aqui dentro dos ônibus somos todos chegados e beeeem chegados - busão; tenho desfrutado de inusitadas e não menos pândegas experiências.
No intuito de promover a criação e a manutenção de vínculos bem estreitos e próximos entre os usuários deste sistema, a municipalidade tem se empenhado com esmero e afinco únicos e os resultados são prodigiosos. Nos horários de pico - quando o número de passageiros cresce - mas também fora deste, é cena comum ver o munícipe atolado, entalado, atochado, socado, espremido, apertado (ufa! deu falta de ar agora!) dentro ou nas janelas e portas dos coletivos.
Se você conseguir entrar já é façanha digna de nota no seu diário: "Meu querido diário, hoje consegui entrar no ônibus...". Só que ônibus é vitrine e ai você vai desfilando suas costas e a protuberância calipígea, ou não, por toda a cidade já que você está devidamente acomodado junto com a placa indicativa, posta no vidro dianteiro, aonde se pode agora não somente ler a indicação do roteiro mas também ver a sua... digamos, singela e modesta "popancinha".
Sempre há uma "tia" forte, gordinha, redonda e levemente roliça para atravancar o processo de passar a catraca ou roleta; sem contar os "cabeças-de-vento" que só resolvem ver o valor da passagem seja em dinheiro, passe de papel ou cartão magnético na hora em que conseguem chegar na roleta.
Graças aos céus consegui passar e neste ponto já levei 2 cotoveladas, 3 pisadas no pé sendo somente 2 com pedidos de desculpas, 1 beliscão, 2 fungadas no cangote, 5 encoxadas, 1 espirrada, tem uma senhora na minha frente segurando a bolsa e olhando pra mim com cara feia como se eu fosse subtraír-lhe os pertences tamanha é a intensidade de nosso contato físico, tem também um cara me olhando de um jeito estranho que, só não meto-lhe a mão nas fuças pois se tirar minha mão de onde estou, perco meu ponto de apoio.
Segue viagem. O sacolejar do ônibus ajuda a ajuntar a massa humana em seu interior; é um tal de curva pra direita, depois pra esquerda e acelera e freia ... é só gente entrando e ninguém saindo... será que ninguém vai descer não??
Finalmente é tempo de descer, estou estratégicamente instalado perto da porta de saída; o ônibus pára, a porta se abre e eu 'ploft' sou quase cuspido, parido para fora do coletivo. Faço então rapidamente uma checagem para saber se por algum acaso ou por descuido não deixei nada lá dentro: celular, carteira, crachá, agenda, óculos... tudo no seu devido lugar.
Olho então para mim... estou parecendo uma bolinha de papel. Parece que dei folga para a passadeira ou então tive uma briga medonha com o ferro de passar. Menos mal. Antes o ferro do que a galera do busão e fico por aqui... amanhã, é tudo de novo.
Marcadores:
Cidades,
Crônicas da Cidade,
São José dos Campos
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A cidade denominada de a “capital do vale” ainda tem alguns traços bem marcantes de cidades interioranas, por exemplo: abundam pensões familiares, quase como na época das boiadas e invernadas e tropeiros que ao serpentearem junto ao rio Paraíba, por estas paragens ficavam esperando que a Virgem, cuja estátua escura fôra recém encontrada, os salvassem das feras que soltas, pela beira do mesmo rio, aguardavam fazer sua próxima refeição, fosse peixe, vaca ou peão.
Outro aspecto peculiar são as “moças” da chamada “vida-fácil”, aquelas que fazem do meretrício seu ofício quase de registro senão o for desde batismo, visto serem todas, sem exceção parte do patrimônio histórico desta cidade. Pois bem, tais donzelas cuja beleza pode ser tema dos mais controversos, ainda estão garbosamente, se é que assim se pode dizer, a soltar galanteios ao quase distraído passante que estiver a circular pela praça central em plena luz do dia, luz da tarde ou também na ausência de luz da noite. Justiça seja feita! As meninas não incomodam ninguém. Elas estão lá a desfilar, perambular, circular, passear e entre um olhar e outro... ops! Lá vai uma delas. Sozinha? Duvido. A dama já acertou companhia. E na praça central tudo continua normal.
Aos domingos o comércio fecha; as igrejas abrem. O burburinho das gentes circulando durante toda a semana é substituído pelo silêncio, quase sepulcral das ruas vazias ou quase desertas. Um passante com seu cãozinho a emporcalhar a calçada está logo depois daquela esquina. Dois moleques em suas bicicletas brincam de zigue-zague pela rua onde um carro passa em tão pouca velocidade que parece estar em câmera lenta. Duas senhoras com seus terços indicam que a missa do meio-dia et finis. A porta da igreja fecha, e a dos restaurantes abrem... Amém!
Se quiser comprar um jornal ou revista há que se ter cuidado pois as bancas de jornais, são seletivas, veja só. Existem bancas só para revistas, outras só para jornais, outras só para revistas antigas, outras só para revistas de sacanagem e aproveitando que tocamos no assunto.... Tu acredita que as “paradas” de sacanagem aqui só funcionam até as 22h? Pode??? Se der vontade de fazer um sexozinho casual em um ambiente um pouco mais discreto só se for até as 10 horas da noite... depois disso resolva-se como quiser. Coisa de cidade do interior.
Mas falávamos do movimento de domingo, que quase tudo fecha, por isso é uma sacanagem. Pois bem... o jornal que circula aqui na segunda-feira é o mesmo que circulou no domingo. Como domingo não se trabalha então não é impresso jornal. Na segunda você lê as notícias de sábado no jornal que saiu no domingo. Entendeu? Em resumo: compra o jornal de domingo, depois só na terça-feira e tá tudo certo!
O programa para o cidadão joseense é ir para o parque com a família. Aha! agora temos opção de lazer. Existem dois grandes, ops... força de expressão; vou reescrever. Existe um grande parque com boas áreas verde, de recreação e trilhas para caminhadas. Para que você possa ter uma noção, seria uma mistura de Quinta da Boa Vista (pelo perfil dos freqüentadores) com uma pitada de Aterro do Flamengo (pela distribuição do verde) detalhe: não existe mar aqui tá... a imagem do Aterro você pega só a área verde. Pois bem, conseguiu montar na tua cabeça a imagem do parque ??? ... é o Parque da Cidade.
O outro parque fica no coração de uma região um pouco mais requintada, é o parque Santos Dumont: uma mistura de Lagoa Rodrigo de Freitas em miniatura, mas bem miniatura mesmo e uma porção do Baixo Leblon (pelo perfil dos freqüentadores); montou a imagem cerebralmente??? Você caminha numa pista de aproximadamente 1800 metros com mães, pais e filhos, muitos filhos, diversos filhos de todos os tamanhos, cores e sabores. Para que possa ter uma idéia mais exata: pegue as mães e crianças do baixo Leblon e coloque-os numa pista de (uau!) 1800 metros . É de enlouquecer!! Mas, no final de quatro voltas você já não está nem aí pra nada, literalmente falando. Você está fora do parque, sentado tomando uma água de côco e sonhando com os tempos em que caminhava do Leme ao Leblon... momento nostalgia!
A proximidade com a capital faz com que muitos dos que aqui vivem estejam sempre em constate vai-e-vem. Por modestos R$ 16,00 você vai para a “cidade grande” em apenas 1h30; e por outros R$ 16,00 você volta da “cidade grande”. Eu mesmo já fiz este percurso e é ótimo. Não o percurso em si, mas a proximidade com um grande centro. São Paulo com sua arquitetura, estilo, comércio, mistura de gentes e trânsito (Ave Maria! nem lembra) próprios exerce forte influência no ritmo das cidades menores que estão em sua volta e São José é uma delas. Muitos dos que aqui residem, estudam e trabalham na capital. Vida cultural, shows, teatros, grandes espetáculos e eventos acontecem a apenas 1h30 de ônibus daqui. Parte dos lojistas, principalmente do comércio mais popular, pode até negar mas que é assíduo freqüentador dos bazares, quitandas, lojas, mercearias, boxes, barracas populares e afins da famosa 25 de março, isto é sim. Um verdadeiro céu de quinquilharias e outros badulaques bem legais e baratos.
Outro aspecto peculiar é que estamos bem próximos da montanha e do mar. Estamos a cerca de 90 quilômetros da praia. Tudo bem que eu gosto de caminhar mas 90 quilômetros para ver água salgada e areia, não dá mesmo! Prometo que qualquer dia desses eu vou e ai conto como é a praia dos paulistas. Espero que haja sol. Ultimamente tem feito muito, mas muito frio mesmo. E por falar em frio, a proximidade com a montanha deixa São José a “meio-caminho” da badalada Campos do Jordão que eu irei visitar somente depois de comprar uns três casacos bem quentes.
A cidade cresce em um ritmo ordenado. Existe um programa de desfavelização fantástico. Onde antes tinha favela hoje existem praças ou áreas verdes e as famílias que moravam nestes lotes ocupados irregularmente foram transferidas para bairros com toda a infra-estrutura básica. Para se ter uma idéia da ordem que por aqui existe, até o transporte alternativo daqui é organizado com horário e tudo certinho.
A energia daqui da cidade é toda distribuída em 220V. Eu, antes que você me pergunte, estou para todos, eu disse todos os assuntos, exceto trabalho, operando na faixa dos 110V. E por hoje... chega!
Outro aspecto peculiar são as “moças” da chamada “vida-fácil”, aquelas que fazem do meretrício seu ofício quase de registro senão o for desde batismo, visto serem todas, sem exceção parte do patrimônio histórico desta cidade. Pois bem, tais donzelas cuja beleza pode ser tema dos mais controversos, ainda estão garbosamente, se é que assim se pode dizer, a soltar galanteios ao quase distraído passante que estiver a circular pela praça central em plena luz do dia, luz da tarde ou também na ausência de luz da noite. Justiça seja feita! As meninas não incomodam ninguém. Elas estão lá a desfilar, perambular, circular, passear e entre um olhar e outro... ops! Lá vai uma delas. Sozinha? Duvido. A dama já acertou companhia. E na praça central tudo continua normal.
Aos domingos o comércio fecha; as igrejas abrem. O burburinho das gentes circulando durante toda a semana é substituído pelo silêncio, quase sepulcral das ruas vazias ou quase desertas. Um passante com seu cãozinho a emporcalhar a calçada está logo depois daquela esquina. Dois moleques em suas bicicletas brincam de zigue-zague pela rua onde um carro passa em tão pouca velocidade que parece estar em câmera lenta. Duas senhoras com seus terços indicam que a missa do meio-dia et finis. A porta da igreja fecha, e a dos restaurantes abrem... Amém!
Se quiser comprar um jornal ou revista há que se ter cuidado pois as bancas de jornais, são seletivas, veja só. Existem bancas só para revistas, outras só para jornais, outras só para revistas antigas, outras só para revistas de sacanagem e aproveitando que tocamos no assunto.... Tu acredita que as “paradas” de sacanagem aqui só funcionam até as 22h? Pode??? Se der vontade de fazer um sexozinho casual em um ambiente um pouco mais discreto só se for até as 10 horas da noite... depois disso resolva-se como quiser. Coisa de cidade do interior.
Mas falávamos do movimento de domingo, que quase tudo fecha, por isso é uma sacanagem. Pois bem... o jornal que circula aqui na segunda-feira é o mesmo que circulou no domingo. Como domingo não se trabalha então não é impresso jornal. Na segunda você lê as notícias de sábado no jornal que saiu no domingo. Entendeu? Em resumo: compra o jornal de domingo, depois só na terça-feira e tá tudo certo!
O programa para o cidadão joseense é ir para o parque com a família. Aha! agora temos opção de lazer. Existem dois grandes, ops... força de expressão; vou reescrever. Existe um grande parque com boas áreas verde, de recreação e trilhas para caminhadas. Para que você possa ter uma noção, seria uma mistura de Quinta da Boa Vista (pelo perfil dos freqüentadores) com uma pitada de Aterro do Flamengo (pela distribuição do verde) detalhe: não existe mar aqui tá... a imagem do Aterro você pega só a área verde. Pois bem, conseguiu montar na tua cabeça a imagem do parque ??? ... é o Parque da Cidade.
O outro parque fica no coração de uma região um pouco mais requintada, é o parque Santos Dumont: uma mistura de Lagoa Rodrigo de Freitas em miniatura, mas bem miniatura mesmo e uma porção do Baixo Leblon (pelo perfil dos freqüentadores); montou a imagem cerebralmente??? Você caminha numa pista de aproximadamente 1800 metros com mães, pais e filhos, muitos filhos, diversos filhos de todos os tamanhos, cores e sabores. Para que possa ter uma idéia mais exata: pegue as mães e crianças do baixo Leblon e coloque-os numa pista de (uau!) 1800 metros . É de enlouquecer!! Mas, no final de quatro voltas você já não está nem aí pra nada, literalmente falando. Você está fora do parque, sentado tomando uma água de côco e sonhando com os tempos em que caminhava do Leme ao Leblon... momento nostalgia!
A proximidade com a capital faz com que muitos dos que aqui vivem estejam sempre em constate vai-e-vem. Por modestos R$ 16,00 você vai para a “cidade grande” em apenas 1h30; e por outros R$ 16,00 você volta da “cidade grande”. Eu mesmo já fiz este percurso e é ótimo. Não o percurso em si, mas a proximidade com um grande centro. São Paulo com sua arquitetura, estilo, comércio, mistura de gentes e trânsito (Ave Maria! nem lembra) próprios exerce forte influência no ritmo das cidades menores que estão em sua volta e São José é uma delas. Muitos dos que aqui residem, estudam e trabalham na capital. Vida cultural, shows, teatros, grandes espetáculos e eventos acontecem a apenas 1h30 de ônibus daqui. Parte dos lojistas, principalmente do comércio mais popular, pode até negar mas que é assíduo freqüentador dos bazares, quitandas, lojas, mercearias, boxes, barracas populares e afins da famosa 25 de março, isto é sim. Um verdadeiro céu de quinquilharias e outros badulaques bem legais e baratos.
Outro aspecto peculiar é que estamos bem próximos da montanha e do mar. Estamos a cerca de 90 quilômetros da praia. Tudo bem que eu gosto de caminhar mas 90 quilômetros para ver água salgada e areia, não dá mesmo! Prometo que qualquer dia desses eu vou e ai conto como é a praia dos paulistas. Espero que haja sol. Ultimamente tem feito muito, mas muito frio mesmo. E por falar em frio, a proximidade com a montanha deixa São José a “meio-caminho” da badalada Campos do Jordão que eu irei visitar somente depois de comprar uns três casacos bem quentes.
A cidade cresce em um ritmo ordenado. Existe um programa de desfavelização fantástico. Onde antes tinha favela hoje existem praças ou áreas verdes e as famílias que moravam nestes lotes ocupados irregularmente foram transferidas para bairros com toda a infra-estrutura básica. Para se ter uma idéia da ordem que por aqui existe, até o transporte alternativo daqui é organizado com horário e tudo certinho.
A energia daqui da cidade é toda distribuída em 220V. Eu, antes que você me pergunte, estou para todos, eu disse todos os assuntos, exceto trabalho, operando na faixa dos 110V. E por hoje... chega!
Assinar:
Postagens (Atom)