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sábado, 20 de março de 2010

PELA HORA DO PLANETA

A Hora do Planeta é um movimento mundial promovido por uma ONG afim de chamar a atenção do mundo para questões relacionadas as mudanças climáticas e, em um nível mais elevado, pensar nas questões de conservação de todo o planeta.

Pois bem, este movimento prevê que no dia 27 de março deste ano algumas importantes cidades do mundo apaguem as luzes de monumentos e edifícios públicos e que o cidadão comum também se sinta sensibilizado e motivado a colaborar com tal iniciativa fazendo a sua parte que consiste em ficar por 1 hora no escurinho meditando na importância de sua contribuição individual para a coletividade global, etc, etc, etc...

Cá entre nós, cariocas, assim bem popular mesmo: E o quico com isso, hein?

Já dou minha contribuição de forma compulsória, pra bem da verdade, para o raio desta Hora do Planeta por obra e graça, quero dizer, desgraça dos péssimos serviços da Light - empresa concessionária de serviços de energia elétrica aqui da cidade do Rio de Janeiro - que, não mais de vez em quando mas, de vez em sempre me deixa no mais completo breu.

Quando a luz se vai é hora de um verdadeiro ritual: corre para puxar tudo quanto for fio de tudo quanto for tomada, pois quando a energia retornar – com muita sorte em menos de 24 horas – a possibilidade de queimadeira geral nos eletrodomésticos é altíssima. Realizada a prova do “puxar-da-tomada” é hora do “cadê-a-vela”. Tropeçando aqui e metendo o dedão do pé na quina de um móvel ali, você consegue achar o, já item da cesta-básica carioca, saquinho de velas e dependendo da intensidade de seu medo do escuro seus vizinhos, que senão estivessem em igual situação, poderiam pensar ter se transformado sua casa em algum centro religioso tamanha a quantidade velas acessas.

Ainda não é chegado o dia de A Hora do Planeta e o que eu já economizei de energia elétrica pelo desserviço da prestadora de serviço daria para iluminar a praça perto de casa que vive as escuras, cheia de marginais ávidos para que eu e tantos outros, na hora de A Hora do Planeta apaguemos as luzes e em meio a reflexões energéticas e conservacionistas, eles nos permitam também refletir sobre quão efêmero é o conceito da posse de bens, quão voláteis são as promessas na área de segurança pública e quão insegura é a vida.

Na criação do mundo Deus disse: “Haja luz”.
Pouco antes do fim do mundo a Light diz: “Apague a luz.” E temos mais um apagão no Rio de Janeiro!

Mas apagão, ou melhor, apagões – voluntários ou compulsórios -, não são apenas manifestações de preocupação ecológica ou atestado claro e evidente de incompetência nos mais variados níveis do setor elétrico, na matriz energética brasileira; apagões são também exercícios de pura democracia onde ricos e pobres sofrem e são tratados igualmente, ou quase isso. Veja comigo:

Durante o apagão eu, pobre, rapidamente terminei meu banho sob o chuveiro enquanto o Alcaide, rico, pediu para sua empregada trazer as velas, os sais de banho e ficou de molho, relaxando do dia tenso no escritório; Eu, corri para o telefone e gastei horas ouvindo uma musiquinha irritante esperando ser atendido pela empresa de energia elétrica enquanto o Alcaide ainda repousava em seu banho de beleza; Eu, sob a luz de uma única vela, debaixo de um calor insuportável, sem ventilador ou ar-condicionado e com nuvens de mosquitos (os da dengue!!) ao meu redor ainda aguardo para ser atendido pela empresa enquanto o Alcaide já terminou o seu banho e esta confortavelmente instalado em seus aposentos, sob refrigeração, vendo o telejornal que anuncia viver a cidade do Rio de Janeiro mais um apagão.

Ah, sim! Ele, o Alcaide, mora em um prédio nobre, de uma rua nobre, em um bairro nobre, com vizinhos nobres - sem nenhum pobre - e mandou instalar um potente gerador para garantir nobre energia aos nobres, pobres!

Gaste mais energia pensando nas pessoas ao invés de gastar pessoas para economizar energia.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

RASCUNHOS DO MEU CARNAVAL

É quase fim de festa.
Nas praças, becos, vielas, ladeiras, ruas, avenidas, aonde quer que haja uma batucada, um ziriguidum qualquer, a massa de foliões ainda se aperta, se espreme, canta, samba e dança (ou pula, como preferem alguns) animadamente.

A comissão de frente já fez sua última evolução juntamente com as demais alas da escola, o último carro alegórico já está de volta no barracão, a porta-bandeira recolheu o pavilhão, o mestre-sala deu seu último rodopio, da bateria já soou o último repique do surdo, a baiana fez seu último giro, o alegre passista tocou o pandeiro pela última vez enquanto a sorridente mulata fazia seu encantador requebrado com os quadris para um último flash na avenida.

Silêncio...

Na escadaria da passarela do samba, deitado com o corpo entre um degrau e outro o folião desfalecido, tomado pelo cansaço da folia, adormece. Para onde a vista alcance o que se vê são as sobras da festa de Momo: confetes e serpentinas, plumas e paetês, adereços e fantasias, máscaras e mascarados, pierrôs e colombinas.

Minha introspecção só é interrompida pelo cantarolar desafinado do sorridente gari que, entre um varrer as cinzas da festa e outro, faz da vassoura sua parceira de avenida, de samba, sua mulata.

Cantarolo com ele o samba de sua escola do coração; gentilmente cumprimento a sua “mulata”, pego meu chapéu e saio pela avenida, agora vazia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

CRÔNICAS DO REINO IV - Mentiras Palacianas

Outra vez o governo dos trabalhadores se vende para manter a dita sustentabilidade da governabilidade e assim perpetua os ganhos da bandidagem, da quadrilha que, sob as mais diferentes cores e figuras, achou seu lugar no planalto central brasileiro.

Por muito menos do que hoje se vê nos altos-baixos círculos políticos, foi Joaquim José da Silva Xavier acusado, julgado, sentenciado e condenado como traidor do reino tendo que enfrentar a execração pública à medida que caminhava da Cadeia Velha até ao Largo da Lampadosa para ali ser enforcado, morto e esquartejado.

Por muito menos do que hoje se lê, uma geração saiu às ruas com suas caras pintadas nas cores nacionais pedindo, clamando, exigindo mais moralidade, mais ética, mais respeito na política e no fazer política.

Por muito menos sai eu junto com outros caras-pintadas, dizendo a plenos pulmões: “Rosane, sua galinha, foi o PC quem comprou suas calcinhas!”, como forma de declarar minha indignação diante do então escândalo envolvendo a figura do então presidente Collor e seu amigo-tesoureiro, o finado PC Farias.

Contudo, os avanços da imoralidade na Câmara, no Senado, nos palácios, nos atos secretos firmados e confirmador atrás de portas fechadas, fazem crescer e multiplicar a indignação de toda uma nação contra as manobras com que o Palácio do Planalto - na figura daquele que deveria ser o justo e fiel governante do povo – e seus asseclas têm tentado evitar, esconder, encobrir, abafar e distorcer a visível podridão das relações escusas, ilícitas, ilegais, impróprias e imorais de seu governo.

Enquanto a população sofre à míngua a influência de uma recente Influenza, o senhor Presidente, chefe do Estado Maior, faz acordos para salvar seus amigos, políticos-bandidos de toda e qualquer tentativa de tornar sua gestão um exemplo de moralidade.

Sua Ministra mente descaradamente dizendo que não falou o que disse, que não esteve com quem esteve; o Presidente do Senado mente dizendo que não fez o que fez, que não assinou o que tem sua rubrica, que não viu o que leu.

Talvez a única verdade neste mar de mentiras, de dissimulações e de falsidades seja a retórica oca e vazia da declaração dos senadores, deputados e políticos ao afirmarem que não se sentem “confortáveis” em acusar um colega seu.

Realmente a mentira deixa a pessoa desconfortável quando a verdade se pode ver.

Os conchavos, as articulações, a tramóia, a infidelidade partidária, a falta de ética, a inexistência de moral, de vergonha, a dissimulação, enfim, tudo em Brasília me enche de perplexidade, revolta, indignação, asco e nojo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

VÍRUS, NO PLURAL

O povo brasileiro parece não mais desfrutar do que em outras épocas e também até pelo menos bem pouco tempo atrás era cantado em verso e prosa, a saber, o fato de sermos uma nação “deitada eternamente em berço esplêndido”.

Parece que acordamos nas tais margens plácidas aonde estávamos outrora para constatar que estamos cercados de por mais uma manifestação enfermiça de um novo tipo de vírus. E nós que nem bem demos conta da pólio, do sarampo, da rubéola e da dengue agora temos que enfrentar um que antes era suíno agora é A.

O tal bichinho microscópico parece ter gostado não somente do clima e calor humano típicos destas terras brasileiras, mas mais ainda da omissão e descaso com que as autoridades até bem pouco tempo atrás tratavam o assunto.

A confortável crença de que somos um país “abençoado por Deus” fez com que alguns tivessem a falsa impressão e sensação de que estamos imunes à manifestação em nosso território da presença do H1N1. Ele, o vírus, fez e tem feito direitinho sua tarefa de se disseminar onde os poderes responsáveis foram omissos ou, na melhor das hipóteses, imprevidentes.

Pagamos o preço desta letargia sanitária: doentes e mortos pelo vírus fazem as estatísticas se modificarem a cada novo relatório e as justificativas e explicações apresentadas não consolam os familiares vitimados pelos vírus. Sim, pelos, no plural. O vírus da gripe e os da omissão, imprevidência, e descaso; talvez estes mais letais que o primeiro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

GOTAS

Passagem de graça
Avião
Aeroporto
Saguão
Deu tempestade,
Só de trovão.
É o fim da verba!
Só ilusão.

No sul, há seca
No norte, chuva.
O Rio sem praia
São Paulo: rua!

A crise aumenta,
A gente agüenta.

Ministros.
Justiça-cega.
Bate-boca.
Discussão.
Talvez crise!
Sinceramente?
Só liberdade de expressão.

Imposto.
Leão.
Mordida.
Bocão.
Cadê a minha restituição?

terça-feira, 14 de abril de 2009

EM BRASÍLIA, 19 HORAS

A crise econômica que solapa os países e as gentes – que o nosso digníssimo mandatário-mor insiste me chamar de ‘marolinha’, como que para escarnecer dos milhares de ‘surfistas’ desempregados - parece ter batido asas e voado longe de Brasília, mais precisamente, longe da Câmara e Senado Federal.

Os gastos, o desperdício, o desarranjo, a desordem e o mau governo dentro das duas casas às vezes dão a impressão de estarem as duas em uma disputa olímpica para ver quem apresenta maior improbidade administrativa, especialmente no que diz respeito ao erário.

Ah, sim, pode ser que eu esteja exagerando, vamos aos fatos – das últimas semanas para que a lista não fique muito extensa:

Funcionários que não fizeram horas extras, pois as casas estavam em pleno gozo de férias, receberam – para pleno gozo deles – remuneração acrescida de valor referente a horas extras
Mais de 180 diretores e assemelhados, principalmente no que diz respeito à remuneração, para organizarem uma das casas. O mais ridículo neste fato do excesso (e alguém duvida que é abusivo 181 diretores??) é que o atual presidente da casa “hiper-diretiva” foi à TV e aos jornais dizer que ele mesmo fazia muita questão de rever todas as nomeações etc e blá-blá-blá... só esqueceu de dizer que pelo menos 130 - dos 181 - foram nomeados por ele mesmo quando era o então presidente da casa. Isso realmente foi patético e enfadonho, mais até do que ouvir do mesmo a famosa frase que se tornou seu bordão: “Brasileiiiros e brasileiiiras...”
Verbas indenizatórias aviltantes se comparadas ao salário de fome de milhares de aposentados e pensionistas e trabalhadores.

E ainda os senhores e senhoras deputados e senadores querem mais; mas trabalho mesmo que é bom, deste querem eles menos; deles, eu quero é menos.

E chega! Basta!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

INCLUSÃO

Em visita a uma feira voltada para o segmento dito antes deficiente, agora portador de necessidades especiais, constatei e atestei para meu espanto, felicidade e satisfatória surpresa que neste mundo plural, diverso e diferente, inclusão tem mais a ver comigo do que com quem eu tenha rotulado e classificado como “especial”, senão, pensemos sobre o assunto...

Hoje é socialmente responsável e bonito falar e dizer e propagar e anunciar a tal da inclusão; mas o que é inclusão? Para quem é a inclusão? Para quê incluir?

Eis a minha definição pessoal que escrevi depois de ler muitos artigos e tratados e matérias sobre o tema da inclusão. Chego a conclusão que inclusão é o esforço que a sociedade através de suas instituições representativas - como por exemplo: empresas, sindicatos, associações, escolas, dentre outras – faz no sentido de disponibilizar e tornar acessível à toda pessoa que de forma natural ou adquirida tenha uma necessidade especial, incapacitante ou não, definitiva ou temporária, o usufruto pleno de sua cidadania, aqui incluído seus direitos e deveres.

Tendo como base a definição acima e em busca de conhecer melhor este universo aventurei-me pela 8ª Reatech (Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade) e eis minha percepção de tudo o que vi do dito mundo das pessoas deficientes ou pessoas portadoras de necessidades especiais ou pessoas especiais.

A maravilha da diversidade já podia ser vista na entrada. Centenas – sem nenhum exagero ou hipérbole – centenas de pessoas confortavelmente instaladas em cadeiras de rodas eram só sorrisos e poses para registro fotográfico diante do painel com a logomarca da feira. Um cego com seu cão-guia ditava seus dados pessoais para uma jovem senhora afim de efetuar seu cadastro e receber seu crachá de acesso. Enquanto isso, do lado desta senhora, um outro grupo de pessoas animadamente se confraternizava ao “som” de suas mãos e expressão corporal. Senti-me inteiramente diferente, deficiente, pois não tenho habilidade para usar a cadeira de rodas; tenho dificuldade para confiar nas pessoas, que dirá confiar em um cão para me guiar e a forma usual de minha expressão é oral e limitada, desprovida da beleza plástica da expressão do corpo e mãos.

Fiz meu cadastro sentindo-me como um estranho e entrei no espaço da feira.

Ajustei meu localizador interno – o tal do GPS – e parti para uma aventura e tanto. O primeiro corredor que visitei foi o do artesanato e uma infinidade de formas e expressões artísticas estavam bem diante de meus olhos. Minha atenção foi desperta para o trabalho fantástico de um jovem que pinta quadros, belas paisagens e imagens, usando a boca e enquanto meus olhos pareciam hipnotizados com a destreza deste artista, meus ouvidos captaram o som de uma música... alguém canta e canta muito bem. No final do corredor, sobre um palco uma jovem cega – sei que era cega porque ela mesma, ao apresentar-se no intervalo entre uma canção e outra, disse ser – enchia o espaço com sua interpretação viva e brilhante de grandes sucessos de nossa MPB; enquanto sua voz ecoava como num colorido, toda a qualidade vocal e musical poderia ser também vista graças às mãos e expressão de uma intérprete da Língua Brasileira de Sinais. A música podia ser ouvida e também vista. Eu vi a música. Investi uns bons momentos para acompanhar este belo dueto de uma só voz.

Prosseguindo entre os corredores da feira tomei conhecimento de uma infinidade de serviços e produtos pensados especificamente afim de atender desde as mais simples até as mais complexas atividades do dia-a-dia de toda a pessoa, especial é claro. Contudo ainda que eu tenha ficado boquiaberto com as soluções da mais rudimentar até a mais tecnológica, o que deixou em mim uma marca, um sinal profundo, foi ver pessoas felizes. Ah sim, estavam em cadeiras de rodas, andavam com o auxílio de muletas, usavam bengalas para ver, eram guiados por cães, conversavam com as mãos – estas eram as pessoas mais felizes que vi na feira.

Por pouco mais de 2 horas estive submerso em um mundo onde o diferente, deficiente e portador de necessidade especial fui eu. Desprovido, talvez, da coragem e felicidade em viver que vi estampado em cada rosto, se como eles tivesse eu que enfrentar a ausência de visão ou dificuldade de expressão ou locomoção.

Mas o que é mesmo inclusão? Para quem ela se destina e com que finalidade?

Tenho que reformular meu conceito e entender que inclusão não é para os outros, é em primeiro lugar para mim mesmo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

CRÔNICAS DO REINO III - A MOLÉSTIA

Este texto não tem a pretensão de ser um resumo jornalístico. Os nomes de alguns personagens foram alterados a fim de garantir e preservar suas identidades. Qualquer semelhança com fatos reais não terá sido mera coincidência.

Era uma vez – na verdade não aconteceu só uma vez, aconteceram várias e várias vezes e ainda hoje acontece também, mas como tenho que começar suave então fica como se fosse apenas uma vez – em um reino nem tão distante assim, onde o rei pouco mandava e quem deitava e rolava, quer dizer, ditava a ordem, ou melhor, a organização da desordem, eram os amigos do rei; havia uma festa, e das grandes.

Esta festa envolvia todo o reino e até de certa forma fazia com que os nobres, os quase-nobres, os plebeus, os pobres, os miseráveis e os outros se misturassem e celebrassem nem eles mesmos sabiam o quê, mas havia celebração em todo o reino e o rei gostava.

Nesta época, porém, uma grave moléstia abateu-se sobre algumas regiões do reino, infectando um número considerável de pessoas, a maioria delas da plebe para baixo na íngreme escada-escala social. Estes pobres cidadãos, literalmente falando, buscaram então auxílio na propagada maravilhosa, eficiente e moderna rede oficial de atendimento à saúde mantida, ou melhor, sucateada e desassistida pelo reino.

Os já abatidos e enfermos súditos tiveram ainda, não obstante o decrépito estado de saúde em função da moléstia inicial, combater e encontrar forças para sobreviver a uma segunda moléstia que foi a falta de profissionais habilitados e aptos ao atendimento, ao socorro médico em época de festança nacional, em época de feriado, em época greve, enfim, em qualquer época do ano, em qualquer época de uma vida inteira.

Moral da história: No reino nem tão distante assim, a principal e mais mortal moléstia é a do descaso e omissão.

terça-feira, 10 de março de 2009

CRÔNICAS DO REINO II - O CASTELO DE GRAYSKULL

Este texto não tem a pretensão de ser um resumo jornalístico. Os nomes de alguns personagens foram alterados a fim de garantir e preservar suas identidades. Qualquer semelhança com fatos reais não terá sido mera coincidência.

Era uma vez – na verdade não aconteceu só uma vez, aconteceram várias e várias vezes e ainda hoje acontece também, mas como tenho que começar suave então fica como se fosse apenas uma vez – em um reino nem tão distante assim, onde o rei pouco mandava e quem deitava e rolava, quer dizer, ditava a ordem, ou melhor, a organização da desordem, eram os amigos do rei e um destes amigos construiu uma cidadela.

Na imensidão territorial do reino, procurou um lugar tranqüilo e lá mesmo deu início a construção para seu usufruto, deleite - mas depois ele disse que era para o herdeiro - de um simples, singelo, quase imperceptível e básico castelo. Mas aconteceu que este amigo do rei passou por um problema sério de saúde, uma perda de memória gravíssima e esqueceu-se de informar ao rei sobre sua nova e humilde morada.

Na mesma região onde o castelo já erguido reinava imponente – sem ser perturbado por nada e nem por ninguém -, um súdito, subalterno, quase escravo do reino que vivia, ou melhor, tentava viver com a mínima remuneração paga pelo reino, resolveu construir um quartinho bem pequeno a fim de dar um pouco menos de desconforto aos seus familiares.

Como que por passe de mágica - e neste reino, só mesmo a magia para explicar muita coisa que por lá acontece – apareceu um agente coletor-impostor, amigo do rei, e do alto das obrigações e responsabilidades que o cargo, dado pelo rei, lhe conferia, embargou a obra, multou o pobre coitado cidadão, ameaçou-o com despejo e quase o colocou na cadeia.

Moral da história: No reino nem tão distante assim... ih! esqueci a moral - da história - , tudo bem, sou amigo do rei.

domingo, 8 de março de 2009

CRÔNICAS DO REINO I - A OVELHA

Este texto não tem a pretensão de ser um resumo jornalístico. Os nomes de alguns personagens foram alterados a fim de garantir e preservar suas identidades. Qualquer semelhança com fatos reais não terá sido mera coincidência.

Era uma vez – na verdade não aconteceu só uma vez, aconteceram várias e várias vezes e ainda hoje acontece também, mas como tenho que começar suave então fica como se fosse apenas uma vez – em um reino nem tão distante assim, onde o rei pouco mandava e quem deitava e rolava, quer dizer, ditava a ordem, ou melhor, a organização da desordem, eram os amigos do rei; aconteceu uma violência sem tamanho.

Uma pobre camponesa tinha apenas duas ovelhas de estimação e para com estas ovelhas ela era muito cuidadosa e caprichosa. Mas certa vez um homem mau atacou violentamente as duas ovelhas deixando uma delas seriamente ferida e machucada a tal ponto que a vida desta ovelha estava em risco. A polícia do reino descobriu o agressor, prendeu-o e na cadeia ele confessou seu crime.

Agora, a dona da ovelha, levou seu querido animalzinho para os médicos afim de que eles pudessem salvar a vida de seu bem mais precioso; mas a operação que poderia salvar a vida da ovelhinha não era aceita por representantes de um conselho moral importante e influente no reino.

Estabeleceu-se um impasse. De um lado uns apoiando a pobre camponesa na tentativa de salvar a vida de seu tesouro. Do outro lado pessoas solidárias aos membros do conselho moral que agora, diante do iminente procedimento médico, ameaçaram cancelar os vistos de acesso ao reino-melhor de todos aqueles que se envolvessem na operação médica, caso a ovelha fosse mesmo operada.

E foi! Cirurgia realizada. Ovelha salva, camponesa feliz e aliviada com a recuperação da saúde de seu querido animalzinho de estimação. Contudo esta mesma camponesa e toda a equipe médica tiveram seus vistos de acesso ao reino-melhor cancelados pelos membros do conselho moral.

O vil bandido que violentamente atacou as pobres e indefesas ovelhas quase causando a morte de uma delas, este não perdeu o visto.

Moral da história: No reino nem tão distante assim, a depender da decisão dos membros do conselho moral, é melhor não ir para o reino-melhor... lá só entra bandido.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

RITO DE PASSAGEM

Hoje é o primeiro dia de um ano novo. O relógio ainda não completou seu primeiro ciclo de 24 horas. Passei, passamos mais um ano. Fomos do velho para o novo, do fim para o começo e como é de praxe, na passagem, cada um tem o seu modo, o seu jeito, o seu estilo de virar a página, de enterrar o ano-velho e comemorar a chegada do ano-novo.

Uns há que preferem o sossego do aconchego do lar para ali reunirem-se com seus familiares e amigos afim de celebrarem a festa da virada. Outros, entretanto, buscam o agito e a euforia das celebrações coletivas e, quer sozinhos ou acompanhados, também atravessam os últimos minutos do velho ano e vivenciam as primeiras horas do novo ano com muita energia, quer própria ou adquirida via ingestão de alguma bebida energética ou etílica.

Uns usam roupas, outros preferem não usá-las. Os que as utilizam dizem que é preciso e necessário que todo o modelo da indumentária escolhido para a hora da virada seja novo, novíssimo, de primeiro uso. Mas se por culpa da crise econômica ou outro motivo qualquer não puder assim ser – tudo de primeira mão – que pelo menos uma peça seja nova, novíssima e aí pouco importa se é a cueca, a calcinha, o sutiã, a bermuda, a camiseta, a calça, o vestido, a saia, o biquíni ou a sunga... tanto faz, mas que seja novo.

As cores, assim dizem alguns, exercem forte, fortíssima influência sobre a ‘energia’ do novo ano e também revelam o desejo, o intento, a intenção, a vontade, a esperança e a expectativa, singular ou plural, individual ou coletiva, armazenada no profundo da alma. Por certo este então é o motivo de termos sempre muito branco, azul, amarelo, vermelho e outros tantas cores, matizes e tons do mosaico multicolorido que se torna o aglomerado de pessoas, não importa o lugar.

Pronto. Todos reunidos. Inicia-se a contagem regressiva. Já é ano novo e entre abraços, beijos, apertos de mão, estourar de champanhe, cidras, espumantes, fogos de artifício, choros, risos e velas; permeia no ar um sentimento de fraternidade, de sincera amizade, de um querer-bem acima de qualquer possível diferença real ou imaginária – que bom seria se este sentir-se bem durasse o ano todo.

Há quem faça uma prece, quem pule ondas, quem acenda uma ou várias velas, quem faça uma oferenda ao seu santo de devoção, quem coma sete sementes de romã, quem guarde uma folha de louro, quem pule de um pé só, quem guarde a tampa da champanhe, quem derrame pipoca sobre o corpo, quem atire moedas para dentro de casa e quem ainda faça isso tudo e outras tantas superstições, crendices e mandingas afim de garantir que do além distante, caso não consiga por meu próprio esforço e vontade, possa vir ajuda afim de reafirmar a vontade quer na primeira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural de que a novo ano que já começou possa ser melhor do que o velho ano que passou.

A hora, a primeira, passou. As horas passam e agora quem foi além do limite nos brindes tenta encontrar o caminho de casa entre passos trôpegos. Talvez esta figura do celebrante etilicamente alterado seja a melhor metáfora para ilustrar nossa vontade de que tudo seja diferente, todo novo ano, ainda que tropecemos em nossas próprias pernas ou nas guias, nos degraus das calçadas da vida.

BEM VINDO 2009!

sábado, 29 de novembro de 2008

PINGO D'ÁGUA

Muito foi mostrado, visto, falado, ouvido e comentado acerca das águas que tomaram conta de parte do estado de Santa Catarina e, mal havia me acostumado a ver a desgraça úmida no sul do país, fui informado que avarias, prejuízos e perdas também na região Sudeste em função de água; muita água.

Chamou minha atenção em particular neste aquífero sinistro catarinense o volume de águas precipitadas, a extensão das áreas atingidas, as imagens dos deslizamentos e a corrente de ajuda solidária e humanitária que tomou conta do país afim de prestar auxílio às vítimas de tão grave catástrofe.

Foram e são imagens fortes, chocantes e até aqui únicas que certamente ficarão em minha memória; contudo a imagem mais forte é a de uma singular, simples e quase imperceptível gota d'água que vi escorrer dos olhos de quem tudo perder, exceto a própria vida.

Não farei floreios, firulas nem meias-palavras para, por palavra, expressar minha solidariedade aos atingidos por águas. Tenho certeza de que a gota úmida que vi escorrer de diversos olhos e cair no já úmido solo há de ajudar a fazer crescer a vontade, a garra e a força de reconstruir com o que ficou de mais importante: a VIDA.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ADEUS À INOCÊNCIA

O mundo está mesmo de pernas pro ar, se é que ainda existem pernas que possam sustentar este planeta.

Se não fosse suficiente o ritmo desfibrilante da economia, medido pelos índices das bolsas de valores e acompanhado com aflição por grandes e pequenos investidores mas também pela dona-de-casa que já sente e percebe o solapar dos preços nas gôndolas dos supermercados e nas barracas das feiras-livres; agora tenho percebido com maior freqüência que a sociedade dá mostras inequívocas de que alguma ‘força-estranha’ parece procurar destruir os sonhos, os mitos, os contos infantis.

A continuar neste ritmo transloucado não há de sobrar ninguém na Terra do Nunca para contar história ou pelo menos para contar as mesmas história que embalaram o imaginário de muitas gerações até as últimas semanas.

Fazia ainda pouco tempo que a pequena e inocente Branca de Neve havia sido jogada da janela do castelo aonde seu pai, com o aval e a conivência da má-madrasta, e então fomos surpreendidos por um Pequeno Príncipe com cara de sapo e personalidade de Lobo-Mau que entrou na torre onde a já nem tão inocente Rapunzel estava e depois de algum tempo matou-a, enchendo de lágrimas os olhos de muita gente e de sangue o rosto de Rapunzel e também de uma amiga da agora finada. Como desgraça pouca é bobagem, descobriu-se que o pai da menina de tranças de lençol fora também causador de dor, lágrimas em terras distantes vindo de lá escondido, torcendo para que o os guardas do reino não o encontrassem.

Fico pensando então quem será o próximo personagem de meus contos de infância a ter sua história reescrita por obra e graça de alguns fatores como: permissividade, ociosidade, incapacidade para lidar com emoções, desequilíbrio, intolerância, ciúme e vou parar por aqui senão a lista pode ficar grande demais.

O que haverei de ler para meus filhos ou filhos de meus filhos quando eles quiserem uma história para dormir, uma alegoria para embalar suas pequenas mentes imaginativas? A continuar nesta tocada, talvez a melhor opção sejam os índices financeiros ou a crônica policial.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

HORÁRIO DE VERÃO

Esta semana, por força de lei, adiantei meu relógio em uma hora afim de ajudar o governo a cumprir suas metas energéticas, deslocando os picos de consumo (acho que é este o termo que os especialistas e técnicos utilizam para explicar o “fenômeno”) e desta forma economizando na geração de energia elétrica. Já eu, pelo menos durante todo o primeiro dia útil após o ajuste do meu relógio, a saber, a fatídica segunda-feira, que por tradição já não é um dos melhores dias para ajustes e acertos, também desloquei picos, mas não de consumo e sim de sono, letargia, morosidade e preguiça, muita preguiça.

Levantar da cama foi um suplício. Ir até o trabalho, quase um exercício penitencial pelas ruas desertas e quase sem movimento; um outro trabalhador passou por mim, tinha no rosto a expressão de quem havia dormido pouco, ou pelo menos, de quem gostaria de dormir somente uma horinha a mais, éramos dois nesta vontade.

A segunda-feira já havia anunciado na sexta-feira de que uma séria de guias, ajustes e acertos seriam realizados em suas oitos horas laborativas. Afim de concentrar-me nos números e contas e detalhes foi necessário um esforço ainda maior. A parte da manhã correu devagar, morosa, preguiçosa e eu idem. A hora do almoço veio e com ela o sono, o chamado da cama, do travesseiro mas atender a este chamamento seria inútil. Durante a tarde o sol demorou mais do que o habitual a baixar no horizonte e tudo e todos pareciam mais lentos ainda. Ao findar o dia só ouvia o chamado de minha cama. Estava um bagaço e tão logo quanto me foi possível fui repousar. Tentar ajustar meu relógio biológico às metas de economia de energia do governo.

O horário é de verão e o desconforto, com o perdão da palavra, dos infernos!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

FIM DE CAMPANHA

A semana passada, pelos lados de cá, aconteceram as últimas manifestações populares dos candidatos à prefeitura local. A disputa parece mais um festival de cores e três são as principais: vermelho, do candidato do partido estrelado; amarelo, do candidato do partido emplumado; verde, do candidatodo partido natural.

Nesta cidade que ainda não têm semáforo em nenhuma de suas esquinas, as cores eleitorais podem dizer muito, muito mais do que os próprios, por enquanto, adversários políticos.

O fato é que um dia antes do último comício, caiu um pé-d'água medonho, precedido de fortes rajadas de vento que levantaram a poeira das ruas ainda não asfaltadas ou pessimamente pavimentadas. Quando por fim a água veio, e veio com vontade, amontou todo o lixo e a sujeira depositados nas esquinas e terrenos baldios esquecidos temporariamente ou 'ad-aeternum' pelo mesmo poder político que agora, em três cores distintas, aos berros, promete resolver estas e outras questões adjacentes.

Duas cores resolveram então, pós tormenta natural, provocarem tormenta mútua e atormentarem os munícipes no último, berrado, acalorado e embarrado comício. Diferente do que acontecia uns tempos atrás, não sei se agora por força de lei ou falta de recursos, não houveram prelúdios, interlúdios e poslúdios musicais; já partiram os candidatos-coloridos (por favor, nenhuma referência àquele candidato collorido) às promessas... e como prometeram.

A retórica é sempre a mesma: ataque ao atual mandatário local, promessas-padrão (saúde, educação, transporte, moradia, asfalto...), ataque aos outros candidatos, interação com o eleitor (pede que uma família dê um depoimento...blá-blá-blá), mais promessas (agora as absurdas: gastar menos, ser honesto, aumentar o salário, diminuir os impostos) e fim do tétrico espetáculo democrático.

Apenas para registro: não fui aos comícios. Dada a generosidade dos candidatos, principalmente no que diz respeito ao volume de som, pude ouvir tudo perfeitamente do conforto da sala de minha casa.

Tomara, desta vez, tenhamos escolhido certo, para não ficarmos roxos de raiva pelos próximos quatro anos.

Qual a cor do seu voto? Preto combina com tudo!

domingo, 7 de setembro de 2008

07 DE SETEMBRO

Este é um poema cívico. Minha mãe, quando menina, ouviu em sua escola. O autor é desconhecido.

No dia 07 de setembro
Acordei sobressaltada.
Fui dizer à mamãezinha:
Oh que esplêndida alvorada

Ao pisar de tanta gente
Parecia tremer a terra
Quem não soubesse o motivo
Pensaria ser grande guerra.

Mas que guerra seria esta
Que nem sangue escorria?
Era a guerra das flores
Que saltavam de alegria.

Toda trajada de branco
Fui ao Ipiranga e me lembro,
Para gritar bem alto:
SALVE SETE DE SETEMBRO."

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

INTELIGÊNCIA DEMAIS ATRAPALHA

O que devo pensar quando tomo conhecimento que os diretores da Agência Brasileira de Inteligência - ABIN - foram demitidos?

Resumidamente para que eu e você possamos entender e nos situarmos neste caso de excesso e falta de inteligência: A ABIN ouviu o que todo mundo falou mas ninguém poderia saber. No tempo de minha avó isso era como "escutar atrás da porta", mas hoje os tempos são outros.

Por ouvir o que não devia algumas cabeças rolaram para baixo e outras cabeças rolarão, só que para cima; respectivamente é o que chamo de demissão por excesso de competência e promoção por sorte, muuuuuita sorte.

A culpa deve recair sobre a nada pobre máquina de ouvir o que não deve. E pensar que esta história toda começou com um banqueiro todo-poderoso, amigo de um Juiz Federal, que era amigo do Chefe da Polícia, que não era mais amigo do Delegado-Chefe-Investigador-"Curioso de uma Figa" que ouviu as conversas do tal banqueiro todo-poderoso.

Neste país onde inteligência demais atrapalha os interesses escusos e não-sabidos, onde o 'Alcaide-Mor' já mostrou que inteligência não é o seu ponto forte, onde o sonho da massa é ser o próximo big-brother (ver texto É Tudo Vaidade, É Correr Atrás do Vento - janeiro/2008), onde um menino sonha em ser traficante e a menina em ser a nova 'mulher-fruta'.... haja inteligência!!

E quem leva a fama são os lusitanos!!

Parei por aqui! Vai que estão ouvindo nossa conversa... (??)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ALGEMAS

A legislação recente, com o objetivo de não ofender nem expor ao constrangimento desnecessário, decretou que não se deve mais algemar qualquer pessoa que, tendo ofendido as leis vigentes, tenha que ser detido e encaminhado à autoridade competente e responsável para os procedimentos legais previstos.

Pois bem, se bandido não pode ser algemado então quem será?

O que há de ser feito das muitas algemas circulando por este país? Qual será o destino destes nem tão glamurosos braceletes niquelados.... lojas de artigos eróticos ou o fundo de um armário qualquer, em uma casa qualquer (segreeedo!!).

O preso está livre e nós, livres, presos com as algemas da insegurança, da desconfiança, do receio, do medo.

Cerco minha casa com muros que se assemelham a muralhas. As portas do meu apartamento possuem mais de três chaves e dois trincos. Não entro ou saio de casa sem acionar os, sim no plural, os alarmes. Tenho um cão, mistura de 'cruz-credo' com 'coisa-ruim', o 'docinho', que habitualmente só morde os desconhecidos. Contratei segurança privada e me cerco de preces, patuás, mandingas e simpatias na tentativa de sentir-me menos inseguro.

Enquanto bandidos legislam para bandidos, eu, cidadão de bem, estou completamente desprotegido, à mercê de sei lá eu bem o quê, esperando que o próximo ato de violência contra mim direcionado não seja o de alguém que, a priori, deveria zelar pelo meu bem estar... a saber: eu mesmo!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A SALVAÇÃO DA LAVOURA

Esta semana não resisti e fiz um programa que há muito não fazia: fui assistir a uma comédia, mas não no teatro. Vi pela televisão, mas não foi no canal da TV Cultura, aliás, a comédia que vi pouco tinha de cultura e independe do horário. A comédia que assisti tem como título: Propaganda Eleitoral Gratuita.

Este tempo que os políticos devidamente miliciados roubam do telespectador. Interessante notar que à "mão-leve", como o farão na gestão da coisa pública, os candidatos nesta maratona eleitoral, devidamente irmanados, juntos e agrupados, começam a roubar o pobre coitado do eleitor... começando com o tempo.

Outro aspecto interessante é a completa e total falta de não sei bem se criatividade, senso ou então seria excesso de dissimulação e ou cara-de-pau na apresentação do que chamo de "candidato-clichê". Aquele tipo básico, fácil de identificar pois promete o que todos prometeram, prometem e prometerão, a saber: acabar com a violência, resolver a questão do transporte público, melhorar o atendimento na rede pública de saúde e educação, aumentar o valor de aposentadorias e do salário-mínimo (só se for o dele, depois de eleito!), criar 'trocentas' mil novas vagas de emprego e por aí vão as barbáries e sandices prometidas, ditas. Fique atento, nestes não vale a pena votar, é voto perdido!

Talvez minha única saída seja votar em quem tenha origem, berço, inclusive no nome. Aqui na região tenho como opções os seguintes 'berços': os candidatos da academia, da farmácia, da auto-escola, do bar, da bateria, do jornal, da imobiliária, da bicicleta, da feira, da vila, da saúde, do sindicato, do postinho, da padaria, da van, da lotérica, da creche, do fórum, do sacolão, do INSS (pode??) e como se ainda suficiente não fosse, há ainda os candidatos 'profissionais', a saber: o churrasqueiro, o veterinário, o batateiro, o radialista, a contadora e o obreiro.... quanta criatividade!!

Neste pleito eleitoral, valham-me todos os santos, os vivos por favor; venham salvar-me desta cacaria.

Na próxima eleição serei candidato. Vou colocar meu nome na televisão, minha foto no cartaz e meu bloco na avenida... se eleito não for, certamente faço um carnaval já que neste país tudo acaba em samba no Rio de Janeiro, axé na Bahia, pizza em São Paulo e 'porra-nenhuma' em Brasília.

Votem em mim!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

ENCERROU-SE O HORÁRIO LIVRE

Agosto é mesmo o mês do desgosto.

Não por causa da famigerada fama de mês do cachorro louco, mas sim pela ingrata propaganda eleitoral gratuita.

Vil artimanha das quadrilhas que hoje em dia se entitulam partidos políticos para roubar um pouco do tempo que ainda nos resta para um lazer e entreterimento diante da televisão.

Ops! Pára tudo! Desliga a TV e preste atenção.

Que tal transformar o dito exercício democrático em sua forma televisiva em um momento para outros tipos, outras modalidades de exercícios? Aproveite que o espírito Olímpico está no ar.... coloque a leitura em dia. Aquele livro que você tanto tem namorado mas sempre achou uma desculpa na falta de tempo... agora você têm tempo. Que tal então investir tempo em uma saudável brincadeira com as crianças ou então organizar aquele canto, armário ou quarto bagunçado? Agora tempo você têm.

Aproveite o tempo para ligar, visitar, dar um oi e um abraço naquele amigo ou amiga com quem não fala já faz um bom tempo. Talvez entre um dedo-de-prosa e outro o assunto político eleitoral apareça e que bom se assim acontecer... aproveite então para ouvir e debater idéias, preferencialmente longe da TV, onde muitos falsos salvadores prometem de um tudo e mais um pouco na tentativa de coagir você a acreditar que existem políticos sérios neste país-piada.

Faça o melhor horário-político... o seu, no seu tempo!

Pense bem e vote certo!