Já escrevi anteriormente sobre a arte de cantar – (vide texto Com o que você canta? de 04/07/2008) - e em minhas considerações ponderei que nem sempre quem canta consegue tocar quem ouve. Disse ainda que a provável causa desta ineficiência estaria ligada à falta de sentimento por parte de quem canta.
Pois bem, nestas últimas semanas inúmeras foram as divulgações sobre uma jovem senhora que, desprovida de alguns atributos e provida de outros, encantou, literalmente, milhares e milhões de expectadores e ouvintes por todo o mundo. Susan Boyle canta e mais do que cantar, encanta quando canta.
Mas, se ela canta bem, qual então seria o motivo do espanto mundial no tocante ao fato de como pode ela encantar tanta gente em tão pouco espaço de tempo?
Tenho algumas teorias-respostas para esta estupefação mundial que tomou conta do mundo real e virtual, eis meus pontos de vista
Ela canta com a voz. Em um meio e mundo – artístico – onde cada vez mais são valorizados os atributos físicos, pipocam e abundam na tela da TV ou do computador um verdadeiro festival de corpos, peitos, bundas e silicones, principalmente entre as mulheres e ver uma mulher trajada de forma não-vulgar é de espantar mesmo. Susan não precisa mostrar o corpo para provar que tem talento. Sua arte, sua graça, seu encanto está na rica, suave, fina e tranqüila voz trabalhada com afinco e determinação. Os requebros de quadris são para quem não tem talento, que dirá talento vocal!
Ela canta o que sente. A escolha do que cantar, no caso de Susan, não poderia ter sido mais feliz! Ao cantar a canção “I dreamed a dream”, do musical Os Miseráveis, ela cantou sobre sonhos e realizações e desilusões de uma gente excluída, ela cantou a própria história. Cada frase, cada palavra, cada letra, cada nota tinha o vívido lampejo de uma vida inteira. Por ela, ela cantou.
Ela canta uma verdade. Somente Susan poderia ter dado o peso e a sublime interpretação para esta canção pois por ter vivido e por viver os versos da canção, estes eram para ela reais, verdadeiros. Ela cantou o que chamam de “a sua verdade”, não a história de um amor ou desamor de um outro alguém; ela cantou sobre ela, dela e primeiramente para ela mesma; abriu a sua boca em um pungente grito, de sua alma brotou o clamor de alguém que está cansada de ser julgada e pré julgada por vis estereótipos. Para ela, ela cantou.
Ela canta por mais de um. Naquele momento, Susan, depois de ser desacreditada pela platéia e pelos jurados, tornou-se porta-voz de uma multidão de pessoas que são marginalizados pelos mais diversos motivos, oprimidos e muitas das vezes ridicularizados, que carregam o opróbrio do pré-conceito individual ou coletivo. Por estes, ela cantou.
Susan hoje é famosa, requisitada para dar entrevistas para todo o mundo; o mesmo mundo que muitas das vezes rio dela por julgá-la incapaz de, por exemplo: cantar.
Cada um sabe o que aprender com a história da aparição e interpretação de Susan Boyle. Tire você mesmo suas conclusões e enquanto você pensa sobre os porquês e os para quê, que tal ouvir alguém que canta, encanta e que consegue tocar a alma.
http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk
Aqui coloco fragmentos de idéias, instantes, momentos, pensamentos. Sinta-se à vontade para comentar, discutir, concordar e discordar. Esta é uma arena pública aonde todos são bem-vindos. Coloque-se confortavelmente instalado em frente a tela do seu computador e deixe que seus olhos e cérebro trabalhem enquanto tua mente passeia no universo das palavras. Forte abraço, O Autor
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terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 28 de julho de 2008
ADEUS SE DIZ SORRINDO
Na semana passada o mundo das artes se despediu daquela que, sem sombra de dúvidas, foi a mais debochada das atrizes nacionais Dolores Gonçalves Costa, mais conhecida como Derci Gonçalves.
Da origem humilde e infância pobre e difícil, esta mulher com muita garra, fibra, vontade e sem quase nenhum pudor conseguiu se fazer conhecida por aquilo que muitos não gostam de ouvir, outros jamais pronunciariam, mas que ela soube fazer sua marca registrada: o palavrão!
Entrevistá-la era tarefa dura até para o mais experiente repórter. Sustos, sobressaltos e rubores de face sempre acompanharam cada fim de frase. Cada resposta poderia ter tantos palavrões quantos ela achasse conveniente colocar... e ria, e como ria, da própria graça de ser como ela era.
Atravessou um século fazendo rir pelo menos três gerações de brasileiros. Para quem gostaria de chegar aos 100 anos ela foi além, para mostrar que tinha fibra viveu mais 1 e aos 101 viu fechar a cortina do último e mais importante espetáculo: sua vida!
Derci descansou... mas não o espetáculo!
E segue a vida....
Da origem humilde e infância pobre e difícil, esta mulher com muita garra, fibra, vontade e sem quase nenhum pudor conseguiu se fazer conhecida por aquilo que muitos não gostam de ouvir, outros jamais pronunciariam, mas que ela soube fazer sua marca registrada: o palavrão!
Entrevistá-la era tarefa dura até para o mais experiente repórter. Sustos, sobressaltos e rubores de face sempre acompanharam cada fim de frase. Cada resposta poderia ter tantos palavrões quantos ela achasse conveniente colocar... e ria, e como ria, da própria graça de ser como ela era.
Atravessou um século fazendo rir pelo menos três gerações de brasileiros. Para quem gostaria de chegar aos 100 anos ela foi além, para mostrar que tinha fibra viveu mais 1 e aos 101 viu fechar a cortina do último e mais importante espetáculo: sua vida!
Derci descansou... mas não o espetáculo!
E segue a vida....
domingo, 20 de julho de 2008
PAÍS TROPICAL. QUE PAÍS É ESTE?
Somos um país tropical.
Tropical no clima, na música, na moda e também na variedade de frutas que somente este espaço de terra geograficamente localizado entre as linhas imaginárias dos trópicos de Capricórnio e Câncer é capaz de possuir. O mais interessante de toda esta tropicalidade é que agora também nossas notícias nos telejornais e também nos jornais e revistas impressos aderiram ao movimento neo-tropicalista, que não é o mesmo que fez surgir a tropicália, que trouxe os novos baianos, que revelou tantos talentos, "ou não" - como diria Caetano -, de nossa música popular tropical brasileira.
Este movimento que eu chamei de neo-tropicalista fez abundar, sem trocadilhos, melancias, melões, laranjas, abacaxis, limões, côcos e bananas na mídia. Estas frutas nunca tiveram tanta evidência, é só uma pena que esta publicidade toda não tem nada a ver com os benefícios que o consumo destas pode trazer à saúde da população.
São laranjas em escândalos financeiros enquanto melancias e melões rebolam para uma audiência de bananas com seus cérebros mais duros do que cocos. Enquanto a vida segue no "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza" a massa leva uma vida tão azeda quanto um limão, tendo que descascar vários abacaxis por dia, todos os dias afim de sobreviver nesta quitanda tupiniquim.
Neste país em que laranja virou moeda; melancia e melão sinônimo de bunda; abacaxi é o mesmo que problema e comer uma frutinha pode ser mal interpretado como vontade de experimentar algo mais 'delicado'... o que eu faço com a minha dieta frugal??
Chega de salada de fruta na televisão. Quero é fruta na mesa... e bom apetite!
Tropical no clima, na música, na moda e também na variedade de frutas que somente este espaço de terra geograficamente localizado entre as linhas imaginárias dos trópicos de Capricórnio e Câncer é capaz de possuir. O mais interessante de toda esta tropicalidade é que agora também nossas notícias nos telejornais e também nos jornais e revistas impressos aderiram ao movimento neo-tropicalista, que não é o mesmo que fez surgir a tropicália, que trouxe os novos baianos, que revelou tantos talentos, "ou não" - como diria Caetano -, de nossa música popular tropical brasileira.
Este movimento que eu chamei de neo-tropicalista fez abundar, sem trocadilhos, melancias, melões, laranjas, abacaxis, limões, côcos e bananas na mídia. Estas frutas nunca tiveram tanta evidência, é só uma pena que esta publicidade toda não tem nada a ver com os benefícios que o consumo destas pode trazer à saúde da população.
São laranjas em escândalos financeiros enquanto melancias e melões rebolam para uma audiência de bananas com seus cérebros mais duros do que cocos. Enquanto a vida segue no "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza" a massa leva uma vida tão azeda quanto um limão, tendo que descascar vários abacaxis por dia, todos os dias afim de sobreviver nesta quitanda tupiniquim.
Neste país em que laranja virou moeda; melancia e melão sinônimo de bunda; abacaxi é o mesmo que problema e comer uma frutinha pode ser mal interpretado como vontade de experimentar algo mais 'delicado'... o que eu faço com a minha dieta frugal??
Chega de salada de fruta na televisão. Quero é fruta na mesa... e bom apetite!
quinta-feira, 1 de maio de 2008
NA TRAAAAAVE!!!
O ex-craque-artilheiro Ronaldo, mais conhecido como o Fenômeno entrou numa fria fenomenal quando buscava divertimento.
Com vontade, saudade (será???!!) de recordar o tempo em que fazia gol-de-placa, quando o placar era sempre a seu favor em 1 X 0, depois de uma baladinha entrou no possante carro e após uma voltinha encontrou 3 lindas garotas (ou quase isso) disponíveis para agradáveis momentos; esta seria mais uma jogada de mestre do semi-hemi-craque: rápida, barata, segura e sigilosa. O dono da lesão joelho-patelar mais famosa do mundo futebolístico não contava com a jogada dura do, quer dizer, das quase adversárias, que gostaram do jogo e passaram a comandar a partida.
O jogo foi para a prorrogação depois que o famoso jogador descobriu, aos 45 minutos do segundo tempo, que o time convidado para a festinha trazia na bagagem bolas e traves. Dai pra frente a partida ficou tensa para os dois lados, um time acusando o outro de entrada dura, dividida desleal e pegada maldosa; será???
O estranho é que da partida não se sabe o resultado final. Se foi 1 X 0 para o craque ou 1 X 0 para as visitantes ou se o jogo terminou empatado. A televisão não mostrou o ou os gols! Será que a bola bateu na trave e não entrou, foi pra escanteio ou tiro-livre? Verdade seja dita, este jogo só teve lance pra lá de duvidoso.
Sobrou para o Fenômeno explicar desde a sua masculinidade até quem foi que convidou quem para esta pelada medonha.
O inicialmente previsto saiu: devagar demais, caro demais, perigoso demais e todo o mundo ficou sabendo.
Troféu bola-murcha vai para Ronaldinho, o Fenômeno!! Placar final: 1 X 0, só não se sabe bem para qual lado.
Saiu; pagou; não comeu; só levou fumo e frango, quer dizer, franga!
Com vontade, saudade (será???!!) de recordar o tempo em que fazia gol-de-placa, quando o placar era sempre a seu favor em 1 X 0, depois de uma baladinha entrou no possante carro e após uma voltinha encontrou 3 lindas garotas (ou quase isso) disponíveis para agradáveis momentos; esta seria mais uma jogada de mestre do semi-hemi-craque: rápida, barata, segura e sigilosa. O dono da lesão joelho-patelar mais famosa do mundo futebolístico não contava com a jogada dura do, quer dizer, das quase adversárias, que gostaram do jogo e passaram a comandar a partida.
O jogo foi para a prorrogação depois que o famoso jogador descobriu, aos 45 minutos do segundo tempo, que o time convidado para a festinha trazia na bagagem bolas e traves. Dai pra frente a partida ficou tensa para os dois lados, um time acusando o outro de entrada dura, dividida desleal e pegada maldosa; será???
O estranho é que da partida não se sabe o resultado final. Se foi 1 X 0 para o craque ou 1 X 0 para as visitantes ou se o jogo terminou empatado. A televisão não mostrou o ou os gols! Será que a bola bateu na trave e não entrou, foi pra escanteio ou tiro-livre? Verdade seja dita, este jogo só teve lance pra lá de duvidoso.
Sobrou para o Fenômeno explicar desde a sua masculinidade até quem foi que convidou quem para esta pelada medonha.
O inicialmente previsto saiu: devagar demais, caro demais, perigoso demais e todo o mundo ficou sabendo.
Troféu bola-murcha vai para Ronaldinho, o Fenômeno!! Placar final: 1 X 0, só não se sabe bem para qual lado.
Saiu; pagou; não comeu; só levou fumo e frango, quer dizer, franga!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
TEMOS MÚSICA NA ALMA
Ontem o mundo viu e ouviu a Orquestra Filarmônica de Nova York em uma belíssima e comovente apresentação em pleno território de um dos mais duros regimes totalitários ainda em vigor no mundo. Por breves momentos, da capital norte-coreana, ouvimos acordes musicais e sons que diziam não mais haver fronteiras, nem comunistas ou capitalistas... tudo parecia ser um todo único, indivisível.
A mídia mundial soube bem explorar este evento ímpar e por enquanto único, dando enfoque ao que talvez possa ser o ressurgir de uma abertura econômica e política do país asiático há tanto tempo ensimesmado. Por certo este evento é sim indicativo desta abertura mas ainda existe outros indicativos mais profundos.
Tal evento vem apontar para o poder universal e cativante da boa música; para o desejo sincero de um mundo sem nenhuma fronteira, principalmente as fronteiras do preconceito seja ele de que tipo for; para a necessidade de uma auto-avaliação e descoberta de quais regimes totalitários eu tenho que me desprender para ser uma pessoa mais feliz, para deixar a música da e na minha vida pulsar livremente.
Na Coréia do Norte ouviu-se música na alma.
Brava é a gente brasileira que faz da música sua alma.
A mídia mundial soube bem explorar este evento ímpar e por enquanto único, dando enfoque ao que talvez possa ser o ressurgir de uma abertura econômica e política do país asiático há tanto tempo ensimesmado. Por certo este evento é sim indicativo desta abertura mas ainda existe outros indicativos mais profundos.
Tal evento vem apontar para o poder universal e cativante da boa música; para o desejo sincero de um mundo sem nenhuma fronteira, principalmente as fronteiras do preconceito seja ele de que tipo for; para a necessidade de uma auto-avaliação e descoberta de quais regimes totalitários eu tenho que me desprender para ser uma pessoa mais feliz, para deixar a música da e na minha vida pulsar livremente.
Na Coréia do Norte ouviu-se música na alma.
Brava é a gente brasileira que faz da música sua alma.
domingo, 20 de janeiro de 2008
É TUDO VAIDADE...
Quer para espanto e horror de alguns ou para delírio e deleite de outros, temos mais uma edição televisionada, internetada e se é radio difundida eu não o sei, do tão propalado BBB, programa enlatado, socado pela goela abaixo do amigo telespectador.
Este dito sucesso (alguém por favor me ajude a definir o que é afinal sucesso!!) da televisão internacional parece ter ancorado profundamente em terras tupiniquins e suas mais diversas variantes pipocam na telinha. Enquanto os nativos fazem de um tudo para participarem e assistirem a este circo pseudo-expontâneo e natural, os cara-pálidas que importaram este vexame cultural fazem a festa diante da crescente alienação Big-Brodiana.
Os candidatos à arena são todos escolhidos a dedo; o pré-requisito fundamental deve ser a total e absoluta acefalia ou na impossibilidade desta, pouca ou nenhuma atividade cerebral condizente com alguém que se julgue ser inteligente. Corpos esculpidos são requeridos e ai o festival anatômico é quase digno de Michelangelo e suas fantásticas obras com uma ressalva importante: a obra Davi, para citar apenas uma de muitas, e seus neurônios magistralmente entalhados em mármore consegue atrair a atenção de mais pessoas do que nossos patéticos heróis confinados na masmorra de sonhos do BBB.
Personagens escolhidos é hora de começar o espetáculo.... que saudades de programas culturais como o Sítio do Pica Pau Amarelo dos anos 80 e tantos outros fomentadores da cultura nacional, tupiniquim mesmo, b-r-a-s-i-l-e-i-r-í-s-s-i-m-a !!
Expostos em todos os momentos, de todos os ângulos em todas as quase naturais circunstâncias de uma vida normal, os participantes juram lealdade, amizade, fidelidade uns aos outros. Mas o que se assiste é um festival do que há de mais baixo, medíocre, corrupto, vulgar e imoral. São traídos pela retórica vazia e oca, pela futilidade cultivada em anos e anos procurando e perseguindo o mesmo sonho comum: Fama! A cada nova prova, a cada saída se descortina diante das câmeras quão torpes, voláteis e efêmeras foram as promessas, as juras e os pactos de fidelidade que pouco tempo antes houveram estabelecidos.
E após a saída nada são, nada têm, entraram vazios e saíram mais vazios ainda. Seus momentos de fama, sucesso, visibilidade serão resumidos, quando muita sorte tiverem, a terem o estigma de serem somente um ou uma ex-BBB e nada mais, pelo resto de suas vidas. Outros contudo cairão no esquecimento coletivo e nada serão além deles mesmos, agora mais vazios ainda pois a fama e o sucesso são fugazes. Vem e vão muito rapidamente.
Muito mais fariam estes jogadores, corredores que correm em busca de vento, se ao invés de se digladiarem por um prêmio e reconhecimento fugazes, trabalhassem corpos e mentes com o mesmo afinco a fim de produzirem em primeiro lugar conhecimento para eles mesmos, falo de cultura, de algo útil, prático, que tenha aplicabilidade social, que ajude a formar e informar.
Muito mais faríamos nós em desligarmos a TV e lermos um bom livro, ouvirmos uma boa música, conversarmos com nossos amigos e família, prestarmos serviço comunitário... isso sim seria um verdadeiro Big Brother; este sim trará prêmios valiosos, importantes e satisfatórios. Sermos lembrados por um momento em que você e eu fomos úteis a alguém e não fúteis diante das câmeras de um programa qualquer.
Este dito sucesso (alguém por favor me ajude a definir o que é afinal sucesso!!) da televisão internacional parece ter ancorado profundamente em terras tupiniquins e suas mais diversas variantes pipocam na telinha. Enquanto os nativos fazem de um tudo para participarem e assistirem a este circo pseudo-expontâneo e natural, os cara-pálidas que importaram este vexame cultural fazem a festa diante da crescente alienação Big-Brodiana.
Os candidatos à arena são todos escolhidos a dedo; o pré-requisito fundamental deve ser a total e absoluta acefalia ou na impossibilidade desta, pouca ou nenhuma atividade cerebral condizente com alguém que se julgue ser inteligente. Corpos esculpidos são requeridos e ai o festival anatômico é quase digno de Michelangelo e suas fantásticas obras com uma ressalva importante: a obra Davi, para citar apenas uma de muitas, e seus neurônios magistralmente entalhados em mármore consegue atrair a atenção de mais pessoas do que nossos patéticos heróis confinados na masmorra de sonhos do BBB.
Personagens escolhidos é hora de começar o espetáculo.... que saudades de programas culturais como o Sítio do Pica Pau Amarelo dos anos 80 e tantos outros fomentadores da cultura nacional, tupiniquim mesmo, b-r-a-s-i-l-e-i-r-í-s-s-i-m-a !!
Expostos em todos os momentos, de todos os ângulos em todas as quase naturais circunstâncias de uma vida normal, os participantes juram lealdade, amizade, fidelidade uns aos outros. Mas o que se assiste é um festival do que há de mais baixo, medíocre, corrupto, vulgar e imoral. São traídos pela retórica vazia e oca, pela futilidade cultivada em anos e anos procurando e perseguindo o mesmo sonho comum: Fama! A cada nova prova, a cada saída se descortina diante das câmeras quão torpes, voláteis e efêmeras foram as promessas, as juras e os pactos de fidelidade que pouco tempo antes houveram estabelecidos.
E após a saída nada são, nada têm, entraram vazios e saíram mais vazios ainda. Seus momentos de fama, sucesso, visibilidade serão resumidos, quando muita sorte tiverem, a terem o estigma de serem somente um ou uma ex-BBB e nada mais, pelo resto de suas vidas. Outros contudo cairão no esquecimento coletivo e nada serão além deles mesmos, agora mais vazios ainda pois a fama e o sucesso são fugazes. Vem e vão muito rapidamente.
Muito mais fariam estes jogadores, corredores que correm em busca de vento, se ao invés de se digladiarem por um prêmio e reconhecimento fugazes, trabalhassem corpos e mentes com o mesmo afinco a fim de produzirem em primeiro lugar conhecimento para eles mesmos, falo de cultura, de algo útil, prático, que tenha aplicabilidade social, que ajude a formar e informar.
Muito mais faríamos nós em desligarmos a TV e lermos um bom livro, ouvirmos uma boa música, conversarmos com nossos amigos e família, prestarmos serviço comunitário... isso sim seria um verdadeiro Big Brother; este sim trará prêmios valiosos, importantes e satisfatórios. Sermos lembrados por um momento em que você e eu fomos úteis a alguém e não fúteis diante das câmeras de um programa qualquer.
Só digo mais uma coisa, aliás, não sou eu quem diz, o sábio Salomão assim escreveu a quase 3000 mil anos atrás: "É tudo vaidade, é correr atrás do vento..."
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