Uma de minhas colegas de coletividade recentemente resolveu dar uma mudada no visual. Verdade seja dita... a genética não lhe havia sido muito favorável então ela decidiu dar uma ajuda à mãe-natureza.
Economizou mundos e fundos e entrou na faca. Voltou outra! Tudo novo, tudo dela e a estréia foi cercada de muito glamour: no busão, lotado. Nariz, lábios, peitos e bunda (ops!) tudo zerado, novinho em folha.
Mas foi ai então que a moça, agora remodelada, versão 2008, passou a sentir-se incomodada com o aperto coletivo no coletivo. Oras bolas! Princesa, venda as próteses e compre um carro. Para andar de ônibus é preciso ter peito. Linda, agora você já têm... lindos!!
Aqui coloco fragmentos de idéias, instantes, momentos, pensamentos. Sinta-se à vontade para comentar, discutir, concordar e discordar. Esta é uma arena pública aonde todos são bem-vindos. Coloque-se confortavelmente instalado em frente a tela do seu computador e deixe que seus olhos e cérebro trabalhem enquanto tua mente passeia no universo das palavras. Forte abraço, O Autor
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
sexta-feira, 11 de abril de 2008
CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO II
Já escrevi sobre o feito épico que é viajar nos coletivos por estes lados de cá. Hoje escreverei sobre uma outra faceta interessante: meus colegas nesta incrível odisséia.
Putz, grilo, que nhaca medonha é essa? Este foi o primeiro pensamento que veio à mente quando entrei no ônibus. Será que sou eu?? Rapidamente fiz o "check-up anti-nhaca" que consiste em verificar os níveis de: bafo do dragão, desodorante vencido, caquinha de cão na sola do sapato. Ufa! Todos estes índices foram negativos... então alguém me responda: Que budum é esse?
Rapidamente meus olhos rastrearam todo o ambiente em busca da fonte geradora de tão intenso, único e inusitado odor. Olho para a direita, esquerda... Tenho a sensação que todos os meus cinco sentidos estão em pleno funcionamento, usando o máximo de suas capacidades.
Nada!! Absolutamente nada. Não consigo captar a origem. Penso então que estou sentindo coisas; por certo devido a fome ou então sinal de início do processo de falência sensorial, afinal já não sou assim tãããão jovem.
Não consigo sossegar. Estou em pé perto de uma janela aberta, vento no rosto e lá vem o cheiro estranho de novo. Mais uma vez ativo os sensores em busca da origem. É então que olho para baixo e surpreendentemente eis que vejo um respeitável e tranquilo senhor sentando, sacola de mercado nas mãos e saindo dela posso vislumbrar com nitidez a cauda do almoço de páscoa: bacalhau!
Ri comigo mesmo; também rio, só que de mim, o senhor dono do peixe.
E fim da história.
Putz, grilo, que nhaca medonha é essa? Este foi o primeiro pensamento que veio à mente quando entrei no ônibus. Será que sou eu?? Rapidamente fiz o "check-up anti-nhaca" que consiste em verificar os níveis de: bafo do dragão, desodorante vencido, caquinha de cão na sola do sapato. Ufa! Todos estes índices foram negativos... então alguém me responda: Que budum é esse?
Rapidamente meus olhos rastrearam todo o ambiente em busca da fonte geradora de tão intenso, único e inusitado odor. Olho para a direita, esquerda... Tenho a sensação que todos os meus cinco sentidos estão em pleno funcionamento, usando o máximo de suas capacidades.
Nada!! Absolutamente nada. Não consigo captar a origem. Penso então que estou sentindo coisas; por certo devido a fome ou então sinal de início do processo de falência sensorial, afinal já não sou assim tãããão jovem.
Não consigo sossegar. Estou em pé perto de uma janela aberta, vento no rosto e lá vem o cheiro estranho de novo. Mais uma vez ativo os sensores em busca da origem. É então que olho para baixo e surpreendentemente eis que vejo um respeitável e tranquilo senhor sentando, sacola de mercado nas mãos e saindo dela posso vislumbrar com nitidez a cauda do almoço de páscoa: bacalhau!
Ri comigo mesmo; também rio, só que de mim, o senhor dono do peixe.
E fim da história.
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
CRÔNICAS DA CIDADE - NO BUSÃO I
Viver em cidades nem tão grandes, nem tão pequenas pode significar passar por experiências quase místicas no que diz respeito ao direito universal e constitucional de ir e vir com conforto, segurança, rapidez e tendo, se possível, sua individualidade preservada.
Eu, mortal e pobre, ou melhor dizendo pobre e mortal, usuário da solução que o poder público oferece no que diz respeito a transporte, a saber, ônibus, para os mais íntimo e chegados - e aqui dentro dos ônibus somos todos chegados e beeeem chegados - busão; tenho desfrutado de inusitadas e não menos pândegas experiências.
No intuito de promover a criação e a manutenção de vínculos bem estreitos e próximos entre os usuários deste sistema, a municipalidade tem se empenhado com esmero e afinco únicos e os resultados são prodigiosos. Nos horários de pico - quando o número de passageiros cresce - mas também fora deste, é cena comum ver o munícipe atolado, entalado, atochado, socado, espremido, apertado (ufa! deu falta de ar agora!) dentro ou nas janelas e portas dos coletivos.
Se você conseguir entrar já é façanha digna de nota no seu diário: "Meu querido diário, hoje consegui entrar no ônibus...". Só que ônibus é vitrine e ai você vai desfilando suas costas e a protuberância calipígea, ou não, por toda a cidade já que você está devidamente acomodado junto com a placa indicativa, posta no vidro dianteiro, aonde se pode agora não somente ler a indicação do roteiro mas também ver a sua... digamos, singela e modesta "popancinha".
Sempre há uma "tia" forte, gordinha, redonda e levemente roliça para atravancar o processo de passar a catraca ou roleta; sem contar os "cabeças-de-vento" que só resolvem ver o valor da passagem seja em dinheiro, passe de papel ou cartão magnético na hora em que conseguem chegar na roleta.
Graças aos céus consegui passar e neste ponto já levei 2 cotoveladas, 3 pisadas no pé sendo somente 2 com pedidos de desculpas, 1 beliscão, 2 fungadas no cangote, 5 encoxadas, 1 espirrada, tem uma senhora na minha frente segurando a bolsa e olhando pra mim com cara feia como se eu fosse subtraír-lhe os pertences tamanha é a intensidade de nosso contato físico, tem também um cara me olhando de um jeito estranho que, só não meto-lhe a mão nas fuças pois se tirar minha mão de onde estou, perco meu ponto de apoio.
Segue viagem. O sacolejar do ônibus ajuda a ajuntar a massa humana em seu interior; é um tal de curva pra direita, depois pra esquerda e acelera e freia ... é só gente entrando e ninguém saindo... será que ninguém vai descer não??
Finalmente é tempo de descer, estou estratégicamente instalado perto da porta de saída; o ônibus pára, a porta se abre e eu 'ploft' sou quase cuspido, parido para fora do coletivo. Faço então rapidamente uma checagem para saber se por algum acaso ou por descuido não deixei nada lá dentro: celular, carteira, crachá, agenda, óculos... tudo no seu devido lugar.
Olho então para mim... estou parecendo uma bolinha de papel. Parece que dei folga para a passadeira ou então tive uma briga medonha com o ferro de passar. Menos mal. Antes o ferro do que a galera do busão e fico por aqui... amanhã, é tudo de novo.
Eu, mortal e pobre, ou melhor dizendo pobre e mortal, usuário da solução que o poder público oferece no que diz respeito a transporte, a saber, ônibus, para os mais íntimo e chegados - e aqui dentro dos ônibus somos todos chegados e beeeem chegados - busão; tenho desfrutado de inusitadas e não menos pândegas experiências.
No intuito de promover a criação e a manutenção de vínculos bem estreitos e próximos entre os usuários deste sistema, a municipalidade tem se empenhado com esmero e afinco únicos e os resultados são prodigiosos. Nos horários de pico - quando o número de passageiros cresce - mas também fora deste, é cena comum ver o munícipe atolado, entalado, atochado, socado, espremido, apertado (ufa! deu falta de ar agora!) dentro ou nas janelas e portas dos coletivos.
Se você conseguir entrar já é façanha digna de nota no seu diário: "Meu querido diário, hoje consegui entrar no ônibus...". Só que ônibus é vitrine e ai você vai desfilando suas costas e a protuberância calipígea, ou não, por toda a cidade já que você está devidamente acomodado junto com a placa indicativa, posta no vidro dianteiro, aonde se pode agora não somente ler a indicação do roteiro mas também ver a sua... digamos, singela e modesta "popancinha".
Sempre há uma "tia" forte, gordinha, redonda e levemente roliça para atravancar o processo de passar a catraca ou roleta; sem contar os "cabeças-de-vento" que só resolvem ver o valor da passagem seja em dinheiro, passe de papel ou cartão magnético na hora em que conseguem chegar na roleta.
Graças aos céus consegui passar e neste ponto já levei 2 cotoveladas, 3 pisadas no pé sendo somente 2 com pedidos de desculpas, 1 beliscão, 2 fungadas no cangote, 5 encoxadas, 1 espirrada, tem uma senhora na minha frente segurando a bolsa e olhando pra mim com cara feia como se eu fosse subtraír-lhe os pertences tamanha é a intensidade de nosso contato físico, tem também um cara me olhando de um jeito estranho que, só não meto-lhe a mão nas fuças pois se tirar minha mão de onde estou, perco meu ponto de apoio.
Segue viagem. O sacolejar do ônibus ajuda a ajuntar a massa humana em seu interior; é um tal de curva pra direita, depois pra esquerda e acelera e freia ... é só gente entrando e ninguém saindo... será que ninguém vai descer não??
Finalmente é tempo de descer, estou estratégicamente instalado perto da porta de saída; o ônibus pára, a porta se abre e eu 'ploft' sou quase cuspido, parido para fora do coletivo. Faço então rapidamente uma checagem para saber se por algum acaso ou por descuido não deixei nada lá dentro: celular, carteira, crachá, agenda, óculos... tudo no seu devido lugar.
Olho então para mim... estou parecendo uma bolinha de papel. Parece que dei folga para a passadeira ou então tive uma briga medonha com o ferro de passar. Menos mal. Antes o ferro do que a galera do busão e fico por aqui... amanhã, é tudo de novo.
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